quinta-feira, novembro 25, 2010

Levar baile de um cliente (e ainda por cima achar-lhe piada)



O cliente entra na livraria, pede um livro que não temos e pede para encomendar. Ao iniciar a encomenda peço-lhe o contacto que ele dá e depois o nome. Ele responde "Rato" e eu pergunto prontamente "... e o primeiro nome?". Ele faz uma pausa, sorri e responde com uma seriedade inabalável "Rato Mickey".

domingo, novembro 14, 2010

Interpol no Campo pequeno, EU FUI!!

Na sexta passada, os Interpol estiveram em Lisboa para um concerto no Campo Pequeno. Apesar das condições de som estarem muito aquém do que seria desejável o concerto foi fantástico!! Em breve vou tentar deixar aqui alguns do videos que consegui fazer do concerto. Para já digo-vos que o Rest My Chemistry levou toda a gente à loucura... well well. Enjoy.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Ele é mas é espanhol!



(Na livraria, uma tarde de sábado, cliente de meia idade, mal encarado, em frente a uma estante de literatura lusófona)

Cliente: Isto é incrível! Realmente incrível...(e continua durante uns minutos) Inadmissível!
Eu: Boa tarde, precisa de ajuda...?
Cliente: É uma vergonha, têm os livros todos mal arrumados!
Eu: ...precisa de ajuda para encontrar alguma coisa?
Cliente: Não preciso de ajuda nenhuma, já encontrei e mal arrumado!
(Nisto tira um livro do Mário Cesariny da prateleira)
Eu: (sem perceber) ... não me diga, o que é que encontrou mal arrumado?
Cliente: (prontamente) O Cezariny! O que é que está aqui a fazer?!
Eu: (incrédula) ... o Cesariny...?...não estou a perceber.
Cliente: Sim o Cesariny! Sabe quem é, por acaso?!
Eu: (ainda a apanhar bonés) Estaremos a falar do mesmo Cesariny? ... Mário Cesariny? ... um dos percursores do movimento surrealista... português? ... artista plástico... poeta...?
Cliente: (já bastante irritado) Português? Ele não era português!
Eu: ... desculpe, mas era.
Cliente: Não! Não era!
Eu: Desculpe, mas era.
Cliente: Você é uma ignorante!
Eu: (depois de um micro-segundo em que me apeteceu esbofeteá-lo) ... Pois... sabe o que é? É que eu só tirei a 4ª classe, fala-se pouco de literatura no ensino Básico. Ele é mas é espanhol, como o Saramago, não é? (e virei as costas e foi-me embora, satisfeita)

quinta-feira, novembro 04, 2010

º Texto sujo º




Foi naquele mês de Novembro que tudo se precipitou. As paredes a contar cigarros, as palavras, eu eu, uma espécie de janela fechada à espera de um Inverno que se faz tardar. Nunca quis que Deus me desse uma redenção, esse Deus que parece troçar de nós enquanto joga às cartas e ao azar. O que eu queria é que ele me esquecesse, já que me tinha abandonado. Não quis uma redenção, queria sim um pouco de coerência, uma que me permitisse deixar de estar zangada, andar pela estrada, sem demoras.
Com o passar do tempo já não me engano e aquele que finge que ama a mim já não me traz consolo. Mas a minha casa não é só uma casa - é uma morada - e assim, tornou-se fácil voltares para passares os dias à ombreira da porta, à espera.
Deixas-me assim um texto sujo, longe da literatura que tanto estimo, essa literatura que guardo no bolso do casaco e que não te pertence. Tenho que insistir: não te pertence aquela literatura que alimenta mais que o pão apesar do meu corpo estar cada vez mais esfomeado. E apesar daquele mês de Novembro, voltei a encontrar-te num violoncelo, num soalho de madeira e num copo de vinho. Encontrei-te na boca de uma mulher e nas mãos de um amante a chorar com uma carta de amor amarrada ao peito.
Habituei-me a ter-te a espreitar a cada esquina, a atravessar o passeio de lado a lado da rua, a apressar o passo, a mudar de direcção. Transformei-me certamente na tua herege preferida só por ser a mais esquiva.
É em Novembro que volto à minha velha máquina de escrever, uma exigência ou uma herança que me entregaste e eu nunca quis. Moldaste-me os dias e deixaste-me um texto sujo, o meu, um rascunho com paixão mas sem alma, dois ou três parágrafos desfeitos, como uma peça à qual falta a didascália e um actor e o pano. A mim, parece faltar-me as pernas, os braços, a voz e o coração desaparece-me do peito. Escrevo promessas em fitas vermelhas e amarro-as às árvores porque tudo o que tenho é um texto sujo que não me livra de ti e que nem sequer é belo.

Acordei com isto na orelha...