
Habituamo-nos a pontos de vista que se enraízam em espaços. Até há 2 semanas atrás o Bairro Alto era o lugar de copos, amigos e boa vida. Um sem número de ruas estreitas, bares, música, caras desconhecidas.
Hoje o Bairro Alto é o meu bairro: a perspectiva altera-se. Agora o Bairro Alto ainda tem ruas estreitas, mas tem também mercearias antigas e lojas marginais de discos, livros, arte, coisas imensas. Tem caras conhecidas, vizinhos, e juras que até já conheces bem algumas pedras de calçada.
A tua vida altera-se, muda pele, muda de figura. Começas a sentir que mudas também de pele: a anterior parece começar a descolar-se devagar, os teus olhos giram em torno de eixos novos, desconhecidos. As tuas decisões estão agora mais evidentes que nunca, tudo o que fizeste se precipita à tua frente.
Acordo de manhã e o Bairro Alto não é mais o de antes. Agora é a minha casa.