segunda-feira, setembro 14, 2009

Lido.



"Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio polícia. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais coerente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras, sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.
Não sei o que é um livro, ninguém o sabe. Mas sabemos quando encontramos um. E quando não há nada sabêmo-lo como sabemos que existimos, que ainda não morremos."