sexta-feira, setembro 25, 2009

Lido: O Amor Louco - André Bréton

"Os homens desesperam estupidamente do amor - eu próprio desesperei -, passam a vida escravizados pela ideia de que este se encontra sempre para trás, e nunca à sua frente: os séculos passados, a mentira do esquecimento aos 20 anos. Suportam, e, sobretudo, esforçam-se por admitir que o amor, com todo o seu cortejo de luzes, não é, exactamente, para eles mesmos, esse olhar sobre o mundo feito do olhar de todos os adivinhos. Lançam mão de claudicantes e falaciosas recordações às quais chegam a atribuir, na origem, uma queda imemorial, e tudo isso para se não sentirem demasiado culpados. No entanto, naquela promessa que para cada um de nós toda a hora futura encerra, esconde-se o segredo da vida, segredo que um dia poderá, ocasionalmente, vir a revelar-se em qualquer outro ser."

segunda-feira, setembro 14, 2009





O meu filme favorito, do meu realizador asiático favorito, com a minha música favorita de Shigeru Umembayasi.
Recomendo. Eu já vi o filme um milhão de vezes e ainda me surpreende.

Lido.



"Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio polícia. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais coerente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras, sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.
Não sei o que é um livro, ninguém o sabe. Mas sabemos quando encontramos um. E quando não há nada sabêmo-lo como sabemos que existimos, que ainda não morremos."

quinta-feira, setembro 10, 2009

A matemática. A inevitável matemática do coração.

quarta-feira, setembro 09, 2009


quinta-feira, setembro 03, 2009

Apesar da ciência.


Desde que te conheci que trago o coração nas algibeiras. Os meus sapatos num percurso estrangeiro, desconhecido. Fazem-se as coisas do costume, força-se a vida a acontecer, a continuar. Se não fizer isto tudo estanca: aquela nespereira da janela pára de crescer, o meu moinho de vento pára de rodar, cessa a respiração, tudo fica inerte como numa fotografia. Por isso, fazem-se as coisas do costume, empurra-se a vida para a frente, para que aconteça a que custo for, mas que não páre. Rezo a todos os deuses, eu que não acredito em nenhum, por favor que não páre. É uma luta incessante, silenciosa, como uma dança, uma mão invísivel a tocar-te na ferida. Tenta-se continuar a andar, ando o mais direita possível, como se o ângulo que se descreve entre os meus ombros e a horizontalidade do chão fosse desmascarar-me. Ando o mais direita possível, olho muito para os lados. Olho muito e vejo pouco, estou cada vez mais míope. Juro que é a verdade embora a optometria me desminta com os seus infindáveis valores técnicos, matemáticos. A verdade é que vejo cada vez menos, apesar da ciência me garantir em dioptrias que estou errada. É por estes mal entendidos que às vezes digo que acredito tanto na ciência como em Deus, o que nem sequer é verdade. Mas não há como não me mostrar indignada, ofendida. Vejo cada menos e ninguém me acredita.

Trago o coração nas algibeiras, insisto em fazer a vida acontecer, vou continuar a resistir até a minha energia se esgotar. E juro, em voz alta para que me ouça, que tudo isto é verdade.

What can i say?