Sábado, Agosto 15, 2009

Artifícios.

Invento artifícios ao acaso. Ouço aquele álbum de guitarra portuguesa que comprei há anos atrás. Quando termina, ouço-o de novo, ligo o repeat. Sento-me no chão do quarto, observo a porta, as paredes, o tecto. Levanto-me, abro a janela que dá para aquela nespereira enorme que vem da cave até ao 2º andar e ponho-me a fumar. Não sei quantos cigarros fumo. Sento-me na cama, abro um livro, leio-o na diagonal, desisto. Levo as mãos à cara, deixo-as escorregar para cima das orelhas, aperto o meu cabelo preto com força. Dou voltas ao quarto em câmara lenta. Faço perguntas sem resposta. Faço silêncio. Faço-o de tal forma bem que ouço o coração bater. Ponho as mãos à parede, encosto-lhe o rosto.

Saio para o jardim, sento-me na esplanada, o sol já a pôr-se. Bebo três imperiais seguidas, não me sabem a nada. Recomeço a fumar. Mas o fumo não me absolve, o jardim está a escurecer, as minhas mãos estão frias e eu continuo a perguntar-me que espécie de doença súbita é esta que me apanhou e à qual não consigo dar um nome.

8 Comments:

Blogger Mirsilo said...

às vezes canto quando ando assim, e fumo e os jardins a escurecer sempre.

2:27 AM  
Anonymous Ini said...

Qué passa chica?

10:51 AM  
Blogger Im.no.lady said...

Adoeci, mas não sei do quê.

12:47 PM  
Blogger Avram Garrison said...

Não quero soar demasiado pretensioso.. mas claro que sabes, no máximo não queres assumir. Sair e não ver, ouvir a canção mas não a música, beber o nada, fumar porque sim. Nada substitui o que a alma não tem.

Quando digo que sabes, não digo que eu sei, mas sei que é o meio caminho para nenhures. E tu, nesse silêncio, sabe-lo também.

Gosto do modo como escreves, vou espreitar mais para baixo.

12:38 AM  
Blogger Donteverhide said...

Concordo com Avram.
Sabes, claro!
Mas meio caminho andado para "curar a doença" é assumir que a tens.
A menos que a doença não seja "correspondida"...
Bjs.

8:40 AM  
Blogger Im.no.lady said...

Eu já a assumi que a tenho. Escrevo isso nas últimas linhas. Só não a percebo e prefiro insistir em não pensar.
Se penso demasiado desata-se um nó no qual pefiro não mexer.

9:50 PM  
Blogger Im.no.lady said...

ERRATA Onde escrevi "pefiro" deve ler-se "prefiro".

9:52 PM  
Blogger Avram Garrison said...

Essa é a parte tramada; quando se insiste em não pensar. Não é grande solução, mas de imediato raramente há uma melhor. De facto há nós em que não se deve mexer, e é daquelas coisas que se vai aprendendo. Infelizmente essa lição passou-me ao lado, e depois acabei assim.

Os meus cumprimentos.

10:24 PM  

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