sábado, agosto 15, 2009

Artifícios.

Invento artifícios ao acaso. Ouço aquele álbum de guitarra portuguesa que comprei há anos atrás. Quando termina, ouço-o de novo, ligo o repeat. Sento-me no chão do quarto, observo a porta, as paredes, o tecto. Levanto-me, abro a janela que dá para aquela nespereira enorme que vem da cave até ao 2º andar e ponho-me a fumar. Não sei quantos cigarros fumo. Sento-me na cama, abro um livro, leio-o na diagonal, desisto. Levo as mãos à cara, deixo-as escorregar para cima das orelhas, aperto o meu cabelo preto com força. Dou voltas ao quarto em câmara lenta. Faço perguntas sem resposta. Faço silêncio. Faço-o de tal forma bem que ouço o coração bater. Ponho as mãos à parede, encosto-lhe o rosto.

Saio para o jardim, sento-me na esplanada, o sol já a pôr-se. Bebo três imperiais seguidas, não me sabem a nada. Recomeço a fumar. Mas o fumo não me absolve, o jardim está a escurecer, as minhas mãos estão frias e eu continuo a perguntar-me que espécie de doença súbita é esta que me apanhou e à qual não consigo dar um nome.

10 comentários:

Mirsilo disse...

às vezes canto quando ando assim, e fumo e os jardins a escurecer sempre.

Ini disse...

Qué passa chica?

Im.no.lady disse...

Adoeci, mas não sei do quê.

Avram Garrison disse...

Não quero soar demasiado pretensioso.. mas claro que sabes, no máximo não queres assumir. Sair e não ver, ouvir a canção mas não a música, beber o nada, fumar porque sim. Nada substitui o que a alma não tem.

Quando digo que sabes, não digo que eu sei, mas sei que é o meio caminho para nenhures. E tu, nesse silêncio, sabe-lo também.

Gosto do modo como escreves, vou espreitar mais para baixo.

Donteverhide disse...

Concordo com Avram.
Sabes, claro!
Mas meio caminho andado para "curar a doença" é assumir que a tens.
A menos que a doença não seja "correspondida"...
Bjs.

Im.no.lady disse...

Eu já a assumi que a tenho. Escrevo isso nas últimas linhas. Só não a percebo e prefiro insistir em não pensar.
Se penso demasiado desata-se um nó no qual pefiro não mexer.

Im.no.lady disse...

ERRATA Onde escrevi "pefiro" deve ler-se "prefiro".

Avram Garrison disse...

Essa é a parte tramada; quando se insiste em não pensar. Não é grande solução, mas de imediato raramente há uma melhor. De facto há nós em que não se deve mexer, e é daquelas coisas que se vai aprendendo. Infelizmente essa lição passou-me ao lado, e depois acabei assim.

Os meus cumprimentos.

Sofia disse...

Pois eu acho que há alturas em que sabe bem andar doente... Uma espécie de catarse espiritual :) Beijinhos

金志中 disse...

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