domingo, agosto 30, 2009

Acabam-se as férias... volta-se à realidade.

Quero hibernar.....

quinta-feira, agosto 20, 2009

O imperdoável







Começou assim.



Eu sentada a fumar à noite, no lancil, como se não estivesse mais ninguém na rua. Como se a rua me pertencesse. Como se a desprezasse. Debaixo daqueles olhos metálicos fiquei quieta, imóvel, tentando confundir-me no meio do movimento dos outros, ser a perfeita banalidade. A invisibilidade foi-me sempre uma arte cara e fácil. A invisibilidade e a frieza. Mas ainda assim, de pouco me valeram. Como um jogador de poker a suar, a pestanejar, a hesitar.



Debater-me foi um exercício inútil. A cada investida a minha máscara tremia um pouco mais. Agarrava com força os dados para não os soltar, como se a próxima jogada pudesse ser dramática. Mas nunca houve nada de dramático, apenas de insensato. Uma total ausência de lógica, de raciocínio, um nó nos dedos, os vestígios dos dias, um qualquer deus cheio de ironia a pregar-nos partidas. O imperdoável.



Refugiei-me nos bares, nos cigarros, na selvajaria. As noites em claro, a areia da praia na dobra das minhas calças, frases curtas, palavras pequenas. Sem querer foi tudo como naquela descrição de Bréton, como num polaroid.



Sem querer vivemos como no cinema.

quarta-feira, agosto 19, 2009

... e disto? Lembram-se?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Lembram-se do Muppet Show?

sábado, agosto 15, 2009

Artifícios.

Invento artifícios ao acaso. Ouço aquele álbum de guitarra portuguesa que comprei há anos atrás. Quando termina, ouço-o de novo, ligo o repeat. Sento-me no chão do quarto, observo a porta, as paredes, o tecto. Levanto-me, abro a janela que dá para aquela nespereira enorme que vem da cave até ao 2º andar e ponho-me a fumar. Não sei quantos cigarros fumo. Sento-me na cama, abro um livro, leio-o na diagonal, desisto. Levo as mãos à cara, deixo-as escorregar para cima das orelhas, aperto o meu cabelo preto com força. Dou voltas ao quarto em câmara lenta. Faço perguntas sem resposta. Faço silêncio. Faço-o de tal forma bem que ouço o coração bater. Ponho as mãos à parede, encosto-lhe o rosto.

Saio para o jardim, sento-me na esplanada, o sol já a pôr-se. Bebo três imperiais seguidas, não me sabem a nada. Recomeço a fumar. Mas o fumo não me absolve, o jardim está a escurecer, as minhas mãos estão frias e eu continuo a perguntar-me que espécie de doença súbita é esta que me apanhou e à qual não consigo dar um nome.

terça-feira, agosto 11, 2009

Rubrica Musical "Absolut sound trash"

Há uns tempos enviaram-me este video para o email. Não consegui parar de rir o resto do dia. Só ainda não decidi se o meu pormenor preferido é a (des) coordenação das dançarinas ou a letra da música. Enjoy....



P.S. - O grupo chama-se "Duo São Lindas" porque as senhoras se chamam respectivamente São e Linda.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Sabemos que somos um animal de hábitos quando...




... vamos comprar cigarros naquela tabacaria ao pé do trabalho, dizemos "boa tarde" e a empregada responde imediatamente: "Olá, é um maço de Davidoff Clássico, não é?"

domingo, agosto 09, 2009

Últimas aquisições...

Tim Berne's Caos Totale - Nice View


Tango Orkestret - Tango de Copenhague


Chopin - Tristesse

quinta-feira, agosto 06, 2009

Bounjour tristesse....


Acordamos com a vida em suspenso. Magoamos os nós dos dedos de bater o tempo nas arestas da mesa. Um amanhecer ao contrário na algibeira. Levamos as mãos ao rosto, ao cabelo, ao pescoço e não encontramos nada. Nada a não ser o silêncio. Quando temos alguém próximo a morrer, a vida parece-nos um jogo inútil e cruel, e a espera assume a forma de um castigo insuportável.

terça-feira, agosto 04, 2009

Ir para Vila Real ou não ir para Vila Real? eis a questão.


Acho que esta cidadezinha, no interior plantada, tem potencial para me matar de tédio.

domingo, agosto 02, 2009

Leituras do último mês... III



O Construtor de Muralhas - Josep Romero


Esta foi uma leitura sugerida por um colega e amigo de trabalho. Apesar de, de um modo geral, não apreciar este tipo de literatura, não posso deixar de o referir. A narrativa apresenta-nos a história de um executivo, Val, que enceta um percurso de auto conhecimento e de libertação espiritual para vencer o medo. Paralelamente, e como metáfora, surge na narrativa a história de Kyo, samurai ferido e fragilizado em combate, que vai aprender o valor da vida, da alteridade, do luto e da liberdade numa jornada para reconstruir-se enquanto pessoa. Tem uma mensagem simples e positiva, mas não tem nada de surpreendente, nem traz nada de novo. Pelo menos para mim.

Leituras do último mês... II



Haldred - Patrick Besson

Haldred é uma pequena história de um amor louco e trágico. A escrita despudorada e ainda assim cheia de ternura é do mais fascinante que li ultimamente. Repleto de imagens invulgares e de um humor algo sarcástico. Recomendo vivamente.

Leituras do último mês... I


Waltz With Bashir - A Lebanon War Story (Graphic Novel)
Ari Folman apresenta-nos uma narração autobiográfica que tem como ponto de partida as suas memórias reprimidas da guerra do Líbano nos anos 80. Documento poderoso e tocante, aborda de forma brilhante a compreensão do conceito de trauma de guerra. Simultaneamente, consegue, despojado de qualquer sensacionalismo, apresentar-nos uma dimensão política, que denuncia - através de Ari, ex-soldado Israelita - a cumplicidade da Força de Defesa Israel (IDF) no massacres de Sabra e Shatil, onde foram assassinados milhares de palestinianos às mãos da milícia de cristãos falangistas.
O processo de catárse que lhe está implícito, implica não apenas Ari Folman, mas toda uma sociedade, que parece despertar agora uma renovada consciência sobre o alcance do conflito Israelo-Libanés.
Recomendo vivamente. Leiam.