quinta-feira, dezembro 24, 2009

Que contes muitos.

sexta-feira, novembro 20, 2009

I was given just one wish

quarta-feira, novembro 18, 2009

Últimas actualizações: Lido...


A mecânica do coração - Mathias Malzieu


Edimburgo novecentista, nasce Jack no dia mais frio do mundo com o coração congelado. Para lhe salvar a vida, Madeleine, uma parteira que traz ao mundo as crianças indesejadas de mulheres marginais, instala-lhe um relógio de cucu no coração. Jack sobrevive, mas o seu coração é fraco e desaconselham-se as emoções fortes... como o amor.
Mais do que um conto de fadas repleto de ternura, a Mecânica do coração explora subtilmente a natureza dos laços afectivos, do amor e da depêndencia, do poder da memória e da diferença.
Malzieu é um contador de histórias nato que nos faz lembrar Tim Burton. Luc Besson também gostou e diz-se que será adaptado em animação para cinema com a colaboração do fabuloso Johan Sfarr (que para quem não sabe é o ilustrador do livro O Principezinho em BD, da Presença).
Recomendo vivamente.

Eu fui!


quarta-feira, outubro 28, 2009

Quanto tempo o tempo tem?


Visto.


As praias de Agnés.
Les plages d'Agnés é um documentário autobiográfico de Agnés Varda comemorativo dos seus 80 anos. Tocante e simultaneamente divertido recorre a reconstruções de momentos da sua vida, fotografias e excertos de filmes seus e de Jacques Demy.
De destacar a forma como Agnés enfatiza a ideia de que este documentário é uma perspectiva pessoal sobre a própria vida recorrendo à constante imagem dos espelhos e ao "framing". Uma manta de retalhos de vida, repleto de ternura e de uma ironia nostálgica (que é sempre optimista e não azeda). Recomendo vivamente, vejam.

Visto.


35 Shots de Rum
Não é muito comum ver um filme da realizadora francesa Claire Denis no circuito comercial (se é que se pode chamar comercial à distribuição da Medeia Filmes). Assim sendo, aproveitei para ver o último trabalho dela e, mais uma vez, valeu a pena.
A história do filme desenvolve-se a partir da relação entre Lionel, um maquinista que se debate com a perda precoce da mulher, e a sua filha, que está a tornar-se uma jovem adulta e se debate para encontrar um compromisso entre a dependência do pai, sua única família, e o seu próprio desejo de independência.
Belo e melancólico, transporta-nos para um pequeno épico familiar: 35 Shots de Rum é um filme de poucas palavras, sendo os gestos, os sorrisos e o silêncio o factor principal de comunicação.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Lido: O Amor Louco - André Bréton

"Os homens desesperam estupidamente do amor - eu próprio desesperei -, passam a vida escravizados pela ideia de que este se encontra sempre para trás, e nunca à sua frente: os séculos passados, a mentira do esquecimento aos 20 anos. Suportam, e, sobretudo, esforçam-se por admitir que o amor, com todo o seu cortejo de luzes, não é, exactamente, para eles mesmos, esse olhar sobre o mundo feito do olhar de todos os adivinhos. Lançam mão de claudicantes e falaciosas recordações às quais chegam a atribuir, na origem, uma queda imemorial, e tudo isso para se não sentirem demasiado culpados. No entanto, naquela promessa que para cada um de nós toda a hora futura encerra, esconde-se o segredo da vida, segredo que um dia poderá, ocasionalmente, vir a revelar-se em qualquer outro ser."

segunda-feira, setembro 14, 2009





O meu filme favorito, do meu realizador asiático favorito, com a minha música favorita de Shigeru Umembayasi.
Recomendo. Eu já vi o filme um milhão de vezes e ainda me surpreende.

Lido.



"Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio polícia. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais coerente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras, sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.
Não sei o que é um livro, ninguém o sabe. Mas sabemos quando encontramos um. E quando não há nada sabêmo-lo como sabemos que existimos, que ainda não morremos."

quinta-feira, setembro 10, 2009

A matemática. A inevitável matemática do coração.

quarta-feira, setembro 09, 2009


quinta-feira, setembro 03, 2009

Apesar da ciência.


Desde que te conheci que trago o coração nas algibeiras. Os meus sapatos num percurso estrangeiro, desconhecido. Fazem-se as coisas do costume, força-se a vida a acontecer, a continuar. Se não fizer isto tudo estanca: aquela nespereira da janela pára de crescer, o meu moinho de vento pára de rodar, cessa a respiração, tudo fica inerte como numa fotografia. Por isso, fazem-se as coisas do costume, empurra-se a vida para a frente, para que aconteça a que custo for, mas que não páre. Rezo a todos os deuses, eu que não acredito em nenhum, por favor que não páre. É uma luta incessante, silenciosa, como uma dança, uma mão invísivel a tocar-te na ferida. Tenta-se continuar a andar, ando o mais direita possível, como se o ângulo que se descreve entre os meus ombros e a horizontalidade do chão fosse desmascarar-me. Ando o mais direita possível, olho muito para os lados. Olho muito e vejo pouco, estou cada vez mais míope. Juro que é a verdade embora a optometria me desminta com os seus infindáveis valores técnicos, matemáticos. A verdade é que vejo cada vez menos, apesar da ciência me garantir em dioptrias que estou errada. É por estes mal entendidos que às vezes digo que acredito tanto na ciência como em Deus, o que nem sequer é verdade. Mas não há como não me mostrar indignada, ofendida. Vejo cada menos e ninguém me acredita.

Trago o coração nas algibeiras, insisto em fazer a vida acontecer, vou continuar a resistir até a minha energia se esgotar. E juro, em voz alta para que me ouça, que tudo isto é verdade.

What can i say?

domingo, agosto 30, 2009

Acabam-se as férias... volta-se à realidade.

Quero hibernar.....

quinta-feira, agosto 20, 2009

O imperdoável







Começou assim.



Eu sentada a fumar à noite, no lancil, como se não estivesse mais ninguém na rua. Como se a rua me pertencesse. Como se a desprezasse. Debaixo daqueles olhos metálicos fiquei quieta, imóvel, tentando confundir-me no meio do movimento dos outros, ser a perfeita banalidade. A invisibilidade foi-me sempre uma arte cara e fácil. A invisibilidade e a frieza. Mas ainda assim, de pouco me valeram. Como um jogador de poker a suar, a pestanejar, a hesitar.



Debater-me foi um exercício inútil. A cada investida a minha máscara tremia um pouco mais. Agarrava com força os dados para não os soltar, como se a próxima jogada pudesse ser dramática. Mas nunca houve nada de dramático, apenas de insensato. Uma total ausência de lógica, de raciocínio, um nó nos dedos, os vestígios dos dias, um qualquer deus cheio de ironia a pregar-nos partidas. O imperdoável.



Refugiei-me nos bares, nos cigarros, na selvajaria. As noites em claro, a areia da praia na dobra das minhas calças, frases curtas, palavras pequenas. Sem querer foi tudo como naquela descrição de Bréton, como num polaroid.



Sem querer vivemos como no cinema.

quarta-feira, agosto 19, 2009

... e disto? Lembram-se?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Lembram-se do Muppet Show?

sábado, agosto 15, 2009

Artifícios.

Invento artifícios ao acaso. Ouço aquele álbum de guitarra portuguesa que comprei há anos atrás. Quando termina, ouço-o de novo, ligo o repeat. Sento-me no chão do quarto, observo a porta, as paredes, o tecto. Levanto-me, abro a janela que dá para aquela nespereira enorme que vem da cave até ao 2º andar e ponho-me a fumar. Não sei quantos cigarros fumo. Sento-me na cama, abro um livro, leio-o na diagonal, desisto. Levo as mãos à cara, deixo-as escorregar para cima das orelhas, aperto o meu cabelo preto com força. Dou voltas ao quarto em câmara lenta. Faço perguntas sem resposta. Faço silêncio. Faço-o de tal forma bem que ouço o coração bater. Ponho as mãos à parede, encosto-lhe o rosto.

Saio para o jardim, sento-me na esplanada, o sol já a pôr-se. Bebo três imperiais seguidas, não me sabem a nada. Recomeço a fumar. Mas o fumo não me absolve, o jardim está a escurecer, as minhas mãos estão frias e eu continuo a perguntar-me que espécie de doença súbita é esta que me apanhou e à qual não consigo dar um nome.

terça-feira, agosto 11, 2009

Rubrica Musical "Absolut sound trash"

Há uns tempos enviaram-me este video para o email. Não consegui parar de rir o resto do dia. Só ainda não decidi se o meu pormenor preferido é a (des) coordenação das dançarinas ou a letra da música. Enjoy....



P.S. - O grupo chama-se "Duo São Lindas" porque as senhoras se chamam respectivamente São e Linda.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Sabemos que somos um animal de hábitos quando...




... vamos comprar cigarros naquela tabacaria ao pé do trabalho, dizemos "boa tarde" e a empregada responde imediatamente: "Olá, é um maço de Davidoff Clássico, não é?"

domingo, agosto 09, 2009

Últimas aquisições...

Tim Berne's Caos Totale - Nice View


Tango Orkestret - Tango de Copenhague


Chopin - Tristesse

quinta-feira, agosto 06, 2009

Bounjour tristesse....


Acordamos com a vida em suspenso. Magoamos os nós dos dedos de bater o tempo nas arestas da mesa. Um amanhecer ao contrário na algibeira. Levamos as mãos ao rosto, ao cabelo, ao pescoço e não encontramos nada. Nada a não ser o silêncio. Quando temos alguém próximo a morrer, a vida parece-nos um jogo inútil e cruel, e a espera assume a forma de um castigo insuportável.

terça-feira, agosto 04, 2009

Ir para Vila Real ou não ir para Vila Real? eis a questão.


Acho que esta cidadezinha, no interior plantada, tem potencial para me matar de tédio.

domingo, agosto 02, 2009

Leituras do último mês... III



O Construtor de Muralhas - Josep Romero


Esta foi uma leitura sugerida por um colega e amigo de trabalho. Apesar de, de um modo geral, não apreciar este tipo de literatura, não posso deixar de o referir. A narrativa apresenta-nos a história de um executivo, Val, que enceta um percurso de auto conhecimento e de libertação espiritual para vencer o medo. Paralelamente, e como metáfora, surge na narrativa a história de Kyo, samurai ferido e fragilizado em combate, que vai aprender o valor da vida, da alteridade, do luto e da liberdade numa jornada para reconstruir-se enquanto pessoa. Tem uma mensagem simples e positiva, mas não tem nada de surpreendente, nem traz nada de novo. Pelo menos para mim.

Leituras do último mês... II



Haldred - Patrick Besson

Haldred é uma pequena história de um amor louco e trágico. A escrita despudorada e ainda assim cheia de ternura é do mais fascinante que li ultimamente. Repleto de imagens invulgares e de um humor algo sarcástico. Recomendo vivamente.

Leituras do último mês... I


Waltz With Bashir - A Lebanon War Story (Graphic Novel)
Ari Folman apresenta-nos uma narração autobiográfica que tem como ponto de partida as suas memórias reprimidas da guerra do Líbano nos anos 80. Documento poderoso e tocante, aborda de forma brilhante a compreensão do conceito de trauma de guerra. Simultaneamente, consegue, despojado de qualquer sensacionalismo, apresentar-nos uma dimensão política, que denuncia - através de Ari, ex-soldado Israelita - a cumplicidade da Força de Defesa Israel (IDF) no massacres de Sabra e Shatil, onde foram assassinados milhares de palestinianos às mãos da milícia de cristãos falangistas.
O processo de catárse que lhe está implícito, implica não apenas Ari Folman, mas toda uma sociedade, que parece despertar agora uma renovada consciência sobre o alcance do conflito Israelo-Libanés.
Recomendo vivamente. Leiam.


segunda-feira, julho 27, 2009

Deus não tem resposta para tudo.



Mas sabe onde se desembaraçar.

quinta-feira, julho 23, 2009

Embrasse moi. Cap ou pas cap?

quarta-feira, julho 22, 2009

What we can, what we will, what we did suddenly...

A violência assume múltiplas formas.

"Violence is the last refuge of the incompetent."

Isaac Asimov

sábado, julho 18, 2009

As pessoas nos transportes públicos comportam-se como os electrões.

Só se colocam lado a lado quando já não há mais espaço disponível.

quinta-feira, julho 16, 2009

That's why I dance the tango.




"I live on my own, and the rest of the week i don't mind, but, on Saturdays, I like a bit of company. I like to be held close. That's why I dance the tango."

"Tango" in Simetrías, Luisa Valenzuela

quarta-feira, julho 15, 2009

A gente vive na mentira, já não dá conta do que sente, antes sozinha toda a vida, que ter um coração que mente.




Esta música dá-me arrepios. A sério.

segunda-feira, julho 13, 2009


Acorda-se de manhã e fica-se a olhar para o tecto, minutos a fio, como se dele pudesse cair uma espécie de salvação mágica. Experimenta-se tudo: fechar os olhos, respirar fundo, calcular sentimentos por fórmulas matemáticas, claras, limpas. E então percebemos que a diferença entre a fé e a ilusão é uma cama vazia e tu como um náufrago perdido à noite no mar.

sábado, julho 11, 2009

How does it feel/ To be on your own/ With no direction home/ Like a complete unknown/ Like a rolling stone?/

sexta-feira, julho 10, 2009

É um més de férias e um pacote de bolachas se faz favor.


Hoje estou em modo stand-by, qualquer reclamação é favor dirigirem-se à gerência.

domingo, junho 28, 2009

Duras, a minha Marguerite Duras....


"La solitude c'est ce sans quoi on ne fait rien. Ce sans quoi on ne regarde plus rien. C'est une façon de penser, de raisonner, mais avec la seule pensée quotidienne."

(Há frases que nos apetece rasgar do livro e guardar no bolso da camisa, junto ao peito.)

(Um outro) Ponto de vista: o Bairro Alto.


Habituamo-nos a pontos de vista que se enraízam em espaços. Até há 2 semanas atrás o Bairro Alto era o lugar de copos, amigos e boa vida. Um sem número de ruas estreitas, bares, música, caras desconhecidas.
Hoje o Bairro Alto é o meu bairro: a perspectiva altera-se. Agora o Bairro Alto ainda tem ruas estreitas, mas tem também mercearias antigas e lojas marginais de discos, livros, arte, coisas imensas. Tem caras conhecidas, vizinhos, e juras que até já conheces bem algumas pedras de calçada.
A tua vida altera-se, muda pele, muda de figura. Começas a sentir que mudas também de pele: a anterior parece começar a descolar-se devagar, os teus olhos giram em torno de eixos novos, desconhecidos. As tuas decisões estão agora mais evidentes que nunca, tudo o que fizeste se precipita à tua frente.
Acordo de manhã e o Bairro Alto não é mais o de antes. Agora é a minha casa.

segunda-feira, junho 01, 2009

Não consigo parar de ouvir esta banda sonora....

terça-feira, abril 28, 2009

Últimas aquisições: 2 livros, 1 disco.







sexta-feira, abril 17, 2009

Retrato Ardente


Entre os teus lábios é que a loucura acode
desce à garganta, invade a água.
No teu peito é que o pólen do fogo se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos é que a fonte começa a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos é que a areia queima,
o sol é secreto, cego o silêncio.
Deita-te comigo. Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios toda a música é minha.

Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"

quarta-feira, março 25, 2009

O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice,facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Elogio ao Amor, Miguel Esteves Cardoso

Últimas aquisições




sexta-feira, março 20, 2009

Words are very unnecessary...

sábado, março 07, 2009

... so how does it feel?

segunda-feira, março 02, 2009

Última (re)aquisição


Não há nada como voltar a comprar livros que emprestámos e nunca mais nos devolveram.

O silêncio... O silêncio rebenta-nos os tímpanos.


quinta-feira, fevereiro 19, 2009


"Some are Born to sweet delight,
Some are Born to Endless Night"

William Blake

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Últimas aquisições...


terça-feira, fevereiro 10, 2009

o amor é um lugar estranho.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Há dias em que nem os sapatos que calças parecem os teus.


sábado, janeiro 17, 2009

Hoje não tenho nada para escrever no blog.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Noites longas de ácido acetilsalicilico

Quem disse que não se pode falar de gripe de forma (quase) poética?

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Sugestão do dia: dupla delícia inter-religiosa


Sadam e Nelita


Ratzpapa e Bin Laden

D. José policarpo manifestou-se receoso em relação a casamentos com (os muy peligrosos) muçulmanos, provando-nos que a igreja católica está no auge da sua capacidade de dizer baboseiras publicamente.


Assim, decidi deixar a minha sugestão de casamento. Espero que estas uniões lhe agradem senhor Policarpo.



terça-feira, janeiro 13, 2009

We love you Betinho Jójó


Não podia deixar de escrever sobre a entrevista ao Alberto João Jardim que passou ontem na Sic.
Ficámos mais uma vez a saber que o nosso querido Jójó é vitima de um Apartheid movido pelo continente e que o PSD não o quer para concorrer às eleições. Isto porquê? Porque o nosso querido Jójó é um verdadeiro revolucionário, promotor da democracia e queria "unir" o partido, já que discorda da ideia de que várias ideias diferentes são enriquecedoras. Como sabemos , a sua noção de unir um partido é uma espécie de silenciamento como faz na Madeira, ou se quiserem uma versão social democrata da pérola comunista intitulada Comité Central. Mas ele é que sabe, ideias diferentes são perigosas... muy perigosas.
Ficámos também a saber que a Madeira é no estrangeiro, visto Jójó ter afirmado que não queria ser um emigrante em Lisboa, e que o nosso "menino de ouro" Cristiano Ronaldo é verdadeiramente um filho da Madeira. Passo a citar, "foi o produto de uma política desportiva e de um ambiente familiar que o ajudou". É claro que o facto de o nosso querido Cristiano (que aproveitou mais esta distinção para nos provar ter ainda menos habilidades linguísticas que uma foca) ter abandonado a Madeira com 11 anos para ir jogar para o Sporting são meros pormenores. Afinal, se não tivesse nascido na República das Bananas, nunca teria beneficiado das milagreiras políticas desportivas do tio Jójó e nunca seria o melhor do mundo. Eles merecem-se, e fica tudo em família.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Não me devias dar ideias.


Partindo de uma bela reflexão da minha amiga açoriana, aqui fica a pergunta:

Poderá um beijo arruinar uma vida?

Experimentem beijar um destes aqui em cima.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

... e atravessar-te, então, com um amor diferente como bagagem na algibeira.


... e repetes-me tu: "tanta treva, quase nada".

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Estou com o Pat Condell: afinal sou pró-americana!



Se Cristo fosse presidente como o mundo seria diferente! Mas é claro que isto é um sonho irrealista, porque Cristo não tem a mínima hipótese de ser eleito presidente! Quantos cristãos de direita vão votar num judeu liberal originário do Médio-Oriente que parece um goddamm hippie. A Fox crucificava-o, se ainda não tivesse sido preso como terrorista…

(os meus agradecimentos à bloguese do Quero um planeta só para mim)

Apelo à concentração dia 8: Fim ao massacre de Gaza!


Desde o príncipio do ano que o povo de Gaza vive sob intenso ataque militar por parte de Israel.

Nos primeiros dez minutos da ofensiva morreram mais de 200 pessoas e ficaram feridas ou estropiadas mais de 600. Ouvimos, em entrevista, o ministro israelita, a dizer que isto é uma resposta “proporcional” aos morteiros artesanais palestinianos, que em 7 anos mataram
20 israelitas. Até à data, o bombardeamento israelita já resultou em outras tantas centenas de mortos e milhares de feridos, vitimizando uma população que não tem para onde fugir nem como se defender, já que a Faixa de Gaza tem vivido sob um bloqueio que priva os seus habitantes de água potável, de energia, de alimentos, de medicamentos, e que não faz senão defender-se de um Estado prepotente que tem invadido, ocupado e roubado terras legitimas do povo palestiniano.

8 de Janeiro a partir das 18h
em frente do check-point que a embaixada israelita instalou na colonizada Rua António Enes, nº 16, a S. Sebastião

Não cruzes os braços, aparece e traz mais gente!

Liberdade para a Palestina, já!


terça-feira, janeiro 06, 2009

Saldos, saldos...


Era € 9.98... custou € 2.99


Era € 12.00... custou € 3.99



Era € 14.04... custou € 1.99


Era € 17.85.... custou € 1.99



... os livros colam-se-me às mãos e depois não tenho como evitar comprá-los. Tudo isto por qualquer coisa como 10 euros. Não há como resistir.