quarta-feira, outubro 08, 2008

a extensão possível

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, foi então que percebi que era esta gente perdida que fazia mover os dias através de uma lente. Já não podia dizer-to mas tinha a certeza. Desconfiavas dos poemas como desconfiavas das pessoas na rua e que podia eu fazer? Agarravas-te a esta última convicção como uma miséria privada e colocáva-la em prática em cada corpo por amar. Se descias do terraço até à praia era por pura condescêndencia, uma espécie de altruísmo moderno ao qual escapa todo o romantismo. Afinal de contas, ao fim do dia, os românticos já não convencem ninguém e um copo de uísque bate mais rápido. Falar é-me dificil, como se tivesse a língua presa a uma cadeira de rodas. Não sei explicar mas é assim e só aquele meu amigo poeta me compreenderá sobre os terrores da habilidade linguística. A escrita é assim uma prótese, a extensão possível, um mal menor que não dói tanto. Há muito pouca beleza no que digo e foi assim que o meu coração se tornou autista.

2 comentários:

Indie disse...

Isso da lingua como uma prótese deixa as pessoas a pensar.

Oscar disse...

...e a palavra é uma fractura necessária, não é? E afinal, a sua imperfeição é a única coisa que nos salva daquele vazio assustador, daquele primeiro instante, remanescido do último dilúvio. Também tenho saudades de ti,