segunda-feira, abril 14, 2008

º Catárse IV º

O passado agarra-se a nós. Descola-se lentamente à medida que a memória nos falha.
De repente, parece prometer deixar-nos. Mas não.
O passado, troça de nós. O passado é cheio de truques sujos de que nunca aprendemos a escapar.
O passado toma a forma de uma mulher, uma fotografia, uma música, um poema triste.
O passado tem o cabelo curto, tem o cabelo comprido e claro, tem caracóis. O passado fuma SG Ventil, fuma cigarrilhas Café Crême, o passado deixou de fumar. O passado escrevia poemas que alguém queimou, escrevia prosa, não sabia escrever. O passado viveu em Almada, em Lisboa, em Rio Maior, no Porto, nos Açores. O passado não gostava de mudar de casa constantemente, o passado mudou-se 5 vezes em dois anos. O passado amou uma mulher e uma apenas, o passado beijou a boca de muitas mulheres, o passado não se deitou com ninguém.
O passado não gostava de falar do passado, o passado amou o passado, o passado quer livrar-se das culpas do passado.
Catárse, catárse....

3 comentários:

Pessimista disse...

ontem hoje e amanhã o teu presente... um dos desejos da minha fita importada do Brasil :)

Kass disse...

essa parte do passado que viveu nos Açores, de certeza que era bom! :P

Im.no.lady disse...

Sim, na verdade foi bom. :)