quarta-feira, março 19, 2008

º Debaixo de chuva º

Descemos a rua a procurar um poema, um que alguém nos leu numa cidade estrangeira. Compramos os mesmos cigarros, o mesmo jornal e o lojista já nos trata por tu. Habituamo-nos a trajectos como nos habituamos ao nosso nome próprio. Encontramos o poema, fala de pessoas, de posições estratégicas. Estamos debaixo de chuva e não sabemos nada.
Quero levantar o auscultador de uma antiga cabine de rua, procurar aquele meu amigo poeta que sofre na mesma estação de megahertz que eu. Porque encontramos o poema e não nos serve de nada. Quero procurar este meu amigo poeta e dizer-lhe que o poema não nos servirá de nada, finalmente.
Estamos debaixo de chuva, meu querido amigo, e não sabemos nada.

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