quarta-feira, outubro 03, 2007

º Parte-me o silêncio ao meio º

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Foi depois de ti que comecei a padecer de patologias estranhas, raras, mesmo exóticas. Convulsões de abandono e uma ausência de tradução implacáveis.

- Parte-me o silêncio ao meio - dizia eu - de copo de vinho em punho. Parte-mo como se colhesses uma rosa brava no deserto. Ensaiava o gesto de colher uma rosa do chão e estendia-te a flor invisível.

Hoje, penso na beleza como penso numa pausa entre as notas de uma pauta. Não sei explicá-la de outra forma e, possivelmente, irei refinar esta ideia com o tempo até que a torne ilegível como uma caligrafia apaixonada.

Quase gosto desta doença que contraí com o tempo e a sua implacável falta de repouso. É nela que me abrigo para seduzir a saudade até à minha cama. Não uso relógios e desfiz-me de agendas e calendários. Se não posso controlar o tempo, vou antes enganá-lo.
Sim, gosto de silêncio.

1 comentário:

Oscar disse...

Mulher, como escreves! E mesmo o teu silêncio é capaz de ser ouvido de pólo a pólo. Um beijo grande, desses que não tem tamanho.