terça-feira, outubro 23, 2007

º The Bravery º

Estes meninos são bons, muito bons. Aconselho vivamente este albúm.

sexta-feira, outubro 19, 2007

º sem título º

Tens na palma da mão uma dor irrepetível.
E é só.

quinta-feira, outubro 18, 2007

º E então tornei-me ateísta º

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ateu 1 s.m. indivíduo que nega a existência de qualquer divindade 2 adj. que nega a existência de qualquer divindade; incrédulo; céptico (Do gr. átheos, «ateu», pelo lat. atheu-, «id»)


Nasci no seio de um casamento improvável. O meu pai, comunista ferrenho, a minha mãe, católica conservadora. Fui baptizada, sem qualquer direito a voto no assunto, por insistência da minha mãe e avós. Em casa o meu pai falava de "deitar abaixo a Igreja" enquanto a minha mãe assistia pela televisão às diligências de um qualquer Papa em Fátima. Foi também por insistência unilateral da minha mãe que tive catequesse. No dia da minha Primeira Comunhão tive direito a uma festa grande e muitas prendas. Foi a primeira vez, aos sete anos, que tive a sensação de que a fé se pode comprar. A Profissão de Fé e o Crisma vieram no seguimento lógico de um caminho que acabou por parecer óbvio. Na cerimónia de Crisma, lembro-me bem, o padre falou do Demónio e das Trevas, do Deus castigador e punidor, e só depois da Luz e da misericórdia. Alguém, anos mais tarde, ao ver as fotografias me perguntou porque "estavam todos a sorrir menos tu". Hoje, quando penso nisso, tenho a certeza que julguei na altura já ter mergulhado no escuro à muito tempo. Ainda assim a fé, aquela que ainda não sabia que não tinha, acompanhava-me a todo o lado.
Aos 17 anos apaixonei-me por uma mulher e com a paixão veio também a crise de fé, a sensação de ter sido abandonada por aquele Deus, o Deus dos outros. Veio também o desespero, a vergonha, a solidão e com eles os segredos, as lágrimas e as mentiras e as questões intermináveis. Procurei todas as fés, o protestantismo, o budismo, o hindúismo, o niilismo, a selvajaria. Mas eu não cabia em nenhuma. A libertação de uma religião é como uma morte, acredite-se ou não. O poder da educação de anos a fio é inestimável. Ainda assim, não é irreversível. Deixei de ouvir os outros e comecei finalmente a ouvir-me a mim. A fé - aquela dos outros - eu nunca a tive e assim ela acabou por me deixar em paz.
Hoje, quando penso nisso sinto vontade de rir, os dias de infância, a adolescência, a inocência. Não me envergonho de nada, recusar qualquer coisa que não se conhece pode ser um acto de ignorância.
E então, tornei-me ateísta.

terça-feira, outubro 16, 2007

º Diane Arbus: uma bofetada no gosto do público? º

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Figura eminente no campo da fotografia contemporânea, Diane Arbus produziu trabalho substancial antes da sua morte por suícidio, em 1971.
Os seus retratos apresentam-nos pessoas e vidas à margem da aceitação social, descrições de pessoas comuns que apresentam e agudizam a fragilidade das suas máscaras sociais, dos valores do público, das normas. Por essa razão foram tremendamente fracturantes e controversas à época..
Arbus nasceu em Nova Iorque no seio de uma familia abastada de origem judia e estudou na Ethical Culture School, instituição de ensino progressista. Com 18 anos casa com o fotógrafo Allan Arbus com o qual trabalha em moda e publicidade, começando nesta altura a desenvolver um interesse particular por fotografia.
Entre 1955 e 1957 estuda fotografia com Lisette Model que a enconraja a concentrar-se no retrato e no trabalho intimista e anti-ortodoxo, desenvolvento um olhar documentarista sobre os seus modelos. Arbus empenhava horas a fio a observar, acompanhar e dialogar com os seus sujeitos de fotografia. As imagens de Arbus são quase invariavelmente objectos de confronto: - entre o modelo e a objectiva desenha-se um recontro cortante no qual o primeiro parece expôr-se directa e voluntariamente, ao mesmo tempo que procura por trás da objectiva uma espécie de compreensão mais profunda.
Sobre as suas fotografias, Arbus, dizia: "What I'm trying to describe is that it's impossible to get out of your skin into somebody else's.... That somebody else's tragedy is not the same as your own." Sobre os seus modelos disse: "Most people go through life dreading they'll have a traumatic experience. [These people] were born with their trauma. They've already passed their test in life. They're aristocrats."
O trabalho de Arbus captou rapidamente o interesse da comunidade artística, recebendo prémios do Guggenheim em 1963 e 1966. Em 1967 o seu trabalho foi exposto em "New Documents" no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MOMA), lado a lado com o trabalho dos fotógrafos Gary Winogrand and Lee Friedlander.
Em 1970 Diane Arbus tem estabelecida a sua reputação internacional enquanto fotógrafa pioneira de uma nova visualidade documentarista.
Em junho de 1971 Arbus suicida-se em Greewich Village, Nova Iorque. Não obstante, o interesse pela sua obra transforma-se num fenómeno crescente: em 1972 torna-se a primeira artista americana representada na bienal de veneza. A retrospectiva do seu trabalho no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque viaja pelos estados Unidos e Canadá, sendo visto por mais de 7.5 milhões de pessoas e a monografia do seu trabalho, já vendeu mais de 100.000 cópias.

segunda-feira, outubro 15, 2007

º Conferência Em Volta do Milagre Grego º

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15 de Outubro, 18h00, Auditório 3
Participação de: Maria Helena da Rocha Pereira, Universidade de Coimbra
Entrada Livre
Devido às novidades trazidas pela Arqueologia, Epigrafia e Papirologia, desde o séc. XIX até à actualidade, o nosso conhecimento da Grécia antiga, e bem assim do Próximo Oriente e do Egipto, tem-se enriquecido e continua a enriquecer-se consideravelmente. Porém o modo helénico de questionar a realidade e tentar interpretá-la em termos racionais distingue-se desde logo do dos demais povos. Essa herança intelectual e artística é depois universalizada pelos Romanos vencedores e voltará a prevalecer no Ocidente, sobretudo a partir do Renascimento. Em tempos modernos, a devoção de figuras como Lord Byron à causa da independência grega assume, nesta perspectiva, um valor simbólico.

segunda-feira, outubro 08, 2007

º oito de setembro de dois mil e sete º

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quarta-feira, outubro 03, 2007

º Parte-me o silêncio ao meio º

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Foi depois de ti que comecei a padecer de patologias estranhas, raras, mesmo exóticas. Convulsões de abandono e uma ausência de tradução implacáveis.

- Parte-me o silêncio ao meio - dizia eu - de copo de vinho em punho. Parte-mo como se colhesses uma rosa brava no deserto. Ensaiava o gesto de colher uma rosa do chão e estendia-te a flor invisível.

Hoje, penso na beleza como penso numa pausa entre as notas de uma pauta. Não sei explicá-la de outra forma e, possivelmente, irei refinar esta ideia com o tempo até que a torne ilegível como uma caligrafia apaixonada.

Quase gosto desta doença que contraí com o tempo e a sua implacável falta de repouso. É nela que me abrigo para seduzir a saudade até à minha cama. Não uso relógios e desfiz-me de agendas e calendários. Se não posso controlar o tempo, vou antes enganá-lo.
Sim, gosto de silêncio.

terça-feira, outubro 02, 2007

º A memória em Polaroid º

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Talvez a memória seja como um fenómeno proporcionalmente inverso ao processo químico de um polaroid.