quinta-feira, maio 31, 2007

º Tenho os meus fantasmas º

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Tenho os meus fantasmas. Conhecemo-nos bem. Há entre nós um silencioso pacto de paz. Por vezes uma flecha azul atravessa-me a espinha - é o sinal, sempre combinado, da sua ruína. Nem sempre foi assim.
Conheci em tempos uma mulher que me levou para casa. Nas minhas mãos leu poesia e leu também o fatal síndroma da vaidade. Recordo bem as suas mãos decididas a agarrar as minhas como se o mundo fosse uma esfera a boiar dentro de outra esfera, e outra e outra. Só segura assim umas mãos com firmeza quem nada sabe de si. Era como uma divindade atirada ao solo, castigada, pela sua infinita melancolia, a permanecer em terra para revelar aos outros a simplicidade do abandono. Tentei resistir em vão. Quanto mais me debatia mais ela me puxava à terra, aos meus monstros. Às perdas por saborear. À saudade sempre ausente. E eu, barreira armada de silêncios, tive então visões persistentes do Abismo. Era à noite que os fantasmas mais dançavam e foi pelas mãos dela que regressaram vezes sem conta. Finalmente, um dia chegaram-me as lágrimas, imensas -as mãos dela apertando as minhas com força como se espremesse um fruto triste. E então, ela desapareceu. Foi assim que aprendi chorar. Tenho os meus fantasmas e, desde então, conhecemo-nos bem.

quinta-feira, maio 24, 2007

º Bonjour tristesse º

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terça-feira, maio 22, 2007

º Marcas (Imprints) Virginia Woolf na Culturgest º

Para quem gosta da obra de Virginia Woolf fica a sugestão de assistirem na Culturgest, quinta-feira dia 26 de Maio pelas 18H30 (Sala 2) a "Virginia Woolf - o romance como corrente da consciência", uma "conversa" moderada por Helena Vasconcelos.
A entrada é gratuita. Mais informações aqui.

segunda-feira, maio 21, 2007

º Matar todos os deuses º

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No dia em que nasci caiu uma nuvem por terra. Cresci fascinada por muros e abismos. Da vida levo esta sensação sempre inacabada da urgência de matar todos os deuses.

domingo, maio 20, 2007

º A história dela º

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Recordo os meus pés sempre descalços no chão dela. O teu. E o mar. Contigo, o mar ao largo, imenso. Choro sempre sozinha porque esta é a história dela. E eu de pés descalços no chão.
Perdoa – não posso calçar sapatos apertados. Não uso palavras polidas. Não quero muito. Não tenho nada.
Esta é a história dela, e eu olho o mar ao largo e prefiro os meus pés descalços no chão, palavras simples – perdoa.
Já estás demasiado esquecida. Os anos pesam em cada osso teu. Agarro com força os teus ombros, estendo-te os braços e as palmas das mãos. Sigo a linha da tua espinha devagar como se estas tuas asas que eu imagino se pudessem rachar ou quebrar, gastas pelo tempo abrasivo. São como folhas secas de Outono as tuas asas – belas, mas mortas.
O mar nos meus pés descalços sobre as tuas asas mortas, numa noite qualquer. Perdoa – esta é a história dela.