quinta-feira, março 29, 2007

º A estupidez já tem outdoor º

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Em pleno coração de Lisboa, o ultranacionalismo racista e xenófobo polui a paisagem urbana. Parece inacreditável mas pasmem-se: é mesmo verdade. O outdoor existe e eu já o vi entre um misto de surpresa e indignação. Surpresa, leia-se, pela magnitude da coisa e não pelas ideias políticas expressas que essas não surpreendem ninguém.
José Pinto Coelho, o líder do Partido Nacional Renovador (PNR) avisa: «"Estamos a ser invadidos."» Cuidado! Essa "raça estrangeira" é perigosa e multiplica-se rápido. Precavido prõpoe desde já no outdoor uma mensagem clara: há que fazer uma higiene no país, daquelas que começam por perseguição, passam pelo SEF, depois para as detenções, a humilhação, e depois uma bonita viagem para um qualquer país no mundo. Este tipo de higiene de nome comum deportação ou expulsão como preferirem. A segunda parece-me a palavra mais apropriada, confesso. Mas isso deve ser porque eu sou uma "feminista lésbica de esquerda radical" (já viram a quantidade de rótulos que consigo empregar numa só frase?)
No artigo do DN, José Pinto Coelho afirma ainda que é esta a mensagem do cartaz mas que não é isso que o partido quer. (Claro que não, seus ignorantes radicais-de-esquerda! Não percebem nada!) Passo a citar do dito artigo «"Os imigrantes que estão cá por bem têm consciência de que aquilo não é com eles."» Ah! Uff, assim sim! Os imigrantes bonzinhos podem ficar, eles deixam. Quanta generosidade...
Agora só falta destrinçar quem são os mauzinhos para se correr com eles rapidamente. Quais serão os critérios? Fuer Pinto Coelho explica: «"Quem deverá ser expulso? Os marginais, os ilegais, os indigentes. Os que vêm para cá viver de subsídios"» Boa! Mas de um ponto de vista neo-nazi como é o do PNR isso não são todos só porque são imigrantes? E eles não são ilegais porque nós não lhes damos acesso a essa mesma legalização? E os marginais e indigentes lusitanos, não podemos deportá-los também? E já agora, porque não ser coerentes e fazer a mesma coisa aos milhares de imigrantes portugueses, começando nos de 1ª geração e acabando para aí na 5ª? Sim, na quinta. Porquê? Passo a citar novamente «"Somos contra a nacionalidade dada burocraticamente. Portugal é para os portugueses." Sendo os portugueses, define, "os filhos dos portugueses". Quantas gerações para estabelecer a destrinça? "Ora, isso tem de ser legislado. Umas cinco, por exemplo."» Ah e tal, hoje acordei bem disposto por isso podem ser, ora, coisa não coisa... cinco!
A intenção, dizem, «não é "tratar mal os imigrantes". É mais tratá-los "como estrangeiros". » Que eufemismo bonito, para além de fascista este senhor é também poeta. Que pérola de sabedoria. Aplausos.

4 comentários:

Oscar disse...

Pois, e agora com o "beneplácito" da Câmara que autoriza a mensagem xenofóbica e racista mas proíbe a ironia que o "Gato Fedorento" se fez ao cartaz. É minha amiga, é o meu último ano aqui em Portugal, mas dá uma vontade de ficar só para contrariar a extrema-direita. Beijão de saudades!

Anónimo disse...

estupidez é os portugueses terem medo de sair ha rua devido a esta invasao multicultural.

talvez no dia em que fique sem emprego e o seu posto for ocupado por um imigrante mude de ideias.

viva o PNR ,

viva a Portugal!

Cigarettes & Vinyl disse...

Caro nazi,
Se tens medo de sair à rua devias consultar um psicólogo, hoje em dia já é bastante acessível.
Eu nunca tive medo de sair à rua e esse medo a existir, acredita não se ia medir pela percentagem de emigrantes no país. A ideia de que os emigrantes vêm para aqui roubar empregos é uma ideia ignorante. Para tua informação a grande parte da emigração vem colmatar necessidades em áreas de trabalho que os teus queridos portugueses não querem trabalhar. E by the way, eu prefeira mil vezes contratar alguém emigrante e competente do que um portugués incompetente, ou um porco nazi e bronco como tu.
Fora com o PNR
NÂO AO RACISMO NÂO À XENOFOBIA
NÂO AO FASCISMO

Cigarettes & Vinyl disse...

E já que és tão nacionalista, devias começar por voltar à 4ª classe e aprender a falar portugués.
Conheço emigrantes que (pelo menos) o escrevem melhor que tu, seu bronco nazi.