domingo, fevereiro 25, 2007

º E depois comecei a escrever º

" Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés do chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês trágico de Junho, esse mês que inaugura o Inverno.
Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque.
E depois comecei a escrever."
Marguerite Duras in Textos Secretos

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

º O amor à chuva º

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Trago o coração nas algibeiras. Quando te foste embora apressei-me a colocá-lo lá. Esvaziei as cómodas, tirei a roupa da cama, varri as folhas do terraço. Aqui já nada resta de ti. Apressei-me a levar-te embora. O silêncio dura agora horas a fio. Esvaziei as cómodas,tirei a roupa da cama. Arranquei os livros das estantes, parti as nossas coisas pelo chão. Cada segundo a arrastar-se. Desde que te foste embora trago o coração nas algibeiras. Virei o teu quarto vazio do avesso. Tudo é inútil e os anos passam por nós como uma faca. Desde que te foste embora os dias são como uma droga dura. Trago o coração nas algibeiras porque ainda me fazes chorar. Penso em ti, e o amor é imediatamente um Outro. O amor... o amor à chuva.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

º Tupi ou a cadela da minha amiga º

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Raposinha da rua....

º Piada do dia º

Eu não sou snob seu filisteu!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

º Eu estive lá: Flash Mob pelo Sim ao aborto º

Realizou-se hoje no Chiado às 19 horas em ponto. Uma multidão com cerca de 200 pessoas junta-se, escreve individualmente num papel a palavra"SIM" e ergue-a à vista de tod@s durante um minuto. Depois dispersa. Um minuto pelo fim da criminalização - um minuto pelo SIM no dia 11 de Fevereiro.

sábado, fevereiro 03, 2007

º Excertos I º

Não te enganes sobre o meu rosto. Trago comigo os olhos mais vazios do mundo. (Estes não são os olhos que viste da primeira vez)
Não te enganes sobre os meus passos, sequer. O meu corpo está exausto e, vencido, caminha para lugar nenhum.
Mas, sobretudo não te enganes sobre o meu engano, que a fadiga não me mostrou da vida senão a falta dela. (...)
As palavras estão extintas. São sepultadas agora pelo silêncio que as fecundou…
(...) Porém, a ti, dou-te a paz. A ti, dou-te o meu engano, que é o mais do pouco que ainda tenho comigo.
Acredita em mim porque eu não acredito em nada.
Março de 2001