domingo, outubro 29, 2006

º B. I. : Eu e a música º

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É na música que encontro finalmente a minha casa. Foi esta a linguagem que aprendi ao invés da fala. Sou como o arco de um contrabaixo pressionado contra as cordas de um gigante de palco. É na música o sítio onde posso repousar, onde me desencontro. É aqui que posso morrer sem ninguém me perturbar.

quarta-feira, outubro 25, 2006

º B.I. : O começo º

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Nasci no Hospital de São Sebastião da Pedreira (Lisboa) a 17 de Novembro de 1983 e tenho, portanto, 22 anos. O meu nome é irrelevante. No mesmo dia, 20 minutos depois nascia a minha irmã gémea. Pouco sei sobre o dia em que nasci. Talvez chovesse, ou não. A minha avó quis dar-me um nome estranho e as minhas tias e padrinhos e madrinhas e sei lá que mais, outros tantos menos convencionais. Foram os meus pais que decidiram e não se falou mais no assunto. O alinhamento dos astros e planetas e cometas, entre outos elementos astrais que praticamente desconheço ditam que sou Escorpião com ascendente em Escorpião. Ainda hoje não sei o que isso significa, se é que significa qualquer coisa exacta e fiel. A minha mãe é natural da Guarda (no Norte) e o meu pai de Rio Maior (no Oeste) e vivi até á pouco tempo em Almada (Margem Sul do Tejo). O meu B.I. diz que sou natural de Lisboa, e mais recentemente que resido em Lisboa também, mas na verdade não me sinto natural de sítio nenhum. Talvez seja natural do sítio ondem passam os meus sapatos, o que é um ponto de vista com que me sinto mais confortável. Segundo o meu B.I. tenho 1.75 cm. Os meus olhos e o meu cabelo são castanhos.
Heis-me, acho.

terça-feira, outubro 24, 2006

º Bilhete de identidade ou (re)começar do centro do coração º

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Seguindo a sugestão de um psicólogo, decidi regressar a mim mesma. Para me (re)visitar. Voltar à raiz, uma qualquer que eu esqueci pelo caminho. Quem sou eu, onde me posiciono na geografia de um cosmos que me engole. Coisas que me fascinam. Que me entristecem. Coisas belas e fobias. Bilhete de identidade de mim própria em etapas. Terapia a começar do centro. Do centro do coração.

segunda-feira, outubro 23, 2006

º Hoje estou num dia não º

quarta-feira, outubro 18, 2006

º 2º Aniversário da Trem Azul Jazz Store º

A Trem Azul Jazz Store vai comemorar o seu segundo aniversário. São 2 anos de boa música, bons concertos e boas exposições. Na terça feira dia 31 de Outubro comemora-se: A Festa começa às 19:30 e por volta das 21:30 há o já habitual concerto com Lugar da Desordem, com Paulo Curado nos saxofones, Ken Filiano no contrabaixo e o Bruno Pedroso na Bateria. E como festa é festa ainda há desconto de 10% em todos os cd's que não estão em promoção.
Vale a pena ir!

segunda-feira, outubro 16, 2006

º Gérard Castello Lopes º

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Para o deleite dos que gostam de fotografia do século XX, aqui fica uma das fotografias que mais me sensibilizou até hoje. Já agora vale a pena dar uma espreitadela à obra do Gérard Castello Lopes, um dos meus fotógrafos de eleição. E a imagem fala por si. I rest my case.

º Eu vou.. ao EITEC! º

EITEC - 2º Encontro Internacional de Tecnologias Aplicadas à Museologia, Conservação e Restauro

É em Coimbra nos dias 19 e 20 de Outubro e surge como um fórum para a apresentação, discussão, e sugestão de novas proposições, novas ideias e aplicações, principalmente, da possibilidade dum conhecimento actual e aprofundado de outros (novos) meios tecnológicos aplicados á Museologia, Conservação e Restauro.
Imperdível para quem se interessa por museologia aplicada à conservação e restauro. Para quem estiver interessado podem ver também o programa aqui . O único ponto baixo (aliás, baixissímo) é o preço da inscrição.
Eu vou! (mas não é ao Rock in Rio)

terça-feira, outubro 10, 2006

º Á tona deste manto º

O tempo passa sem parar para perguntar porquê. Deixa-nos à nossa sorte. Assim, vai-nos engolindo. Primeiro as mãos, os pés, os cabelos, os olhos e os lábios, os ombros, a barriga, até finalmente fazer submergir um corpo inteiro. Um imenso manto que nos submerge os corpos e os pensamentos para que nada, absolutamente nada, possa voltar atrás. Só a memória resta à tona deste manto, eternamente ameaçada de afundar no seu barco sobre o mar.

segunda-feira, outubro 09, 2006

º A minha faculdade e eu ou a história de um pequeno pesadelo burocrático º

Novo ano lectivo a começar. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Não-sei-quantos mil alunos histéricos de um lado para o outro (como aqueles carrinhos de brinquedo com sensor de toque que mudam de direcção aleatóriamente quando batem num obstáculo). E eu e o meu horror a multidões em fúria. E o meu insistente sentido de ordem. E o persistente sentido de desordem dos serviços académicos.
Tiro uma senha na Secretaria Académica - nº 86 série 5. E o mostrador digital aponta para o 19 série 3. Que sorte - penso eu - afinal podia perfeitamente ter tirado uma senha da série 6 ou 7 ou 8. Assim só tenho de esperar 1 hora e 50 minutos para ser atendida. Adoro perder tempo. É aliás um dos meus desportos preferidos, principalmente quando tenho de estar ali porque a minha inscrição não ficou registada. O que não me surpreende de todo. 4 anos de FCSH têm o curioso efeito de nos tornar muito mais crédulos em coisas estranhas e aparentemente ilógicas. Para fazer uma inscrição na minha faculdade é necessário o seguinte pela seguinte ordem: - verificar as disciplinas a que pretendemos inscrever-nos, irmos à secretaria do nosso departamento verificar se as cadeiras abriram e pedir um papel de pré-inscrições, escrever as disciplinas e os códigos (que estam afixadas nos serviços académicos), carimbar o papel na secretaria, ir à sala de pré-inscrições e introduzir o pedido de pré -inscrição no computador. Depois temos de ir à tesouraria pagar as propinas, preencher mais um papel para servir de recibo de pagamento e esperar que o pagamento dê entrada. Depois é necessário fazer a incrição online, o que seria finalmente muito simples não fosse o caso do sistema ter 300 bugs diferentes que fizeram com que não conseguisse fazer a minha inscrição online até à data prevista. Assim lá estou eu na secretaria a perder tempo para informar alguém do único guichet a funcionar nesta trampa de serviços académicos (sim, é nesta altura que começo a ter vontade de praguejar) que não concluí o processo de inscrição por indisponibilidade do sistema. Isto para que a mesma pessoa me informe que o prazo de inscrição terminou e que para me inscrever terei de pagar uma multa de 13.50 euros porque o software disponibilizado pela faculdade para efectuar inscrições é um autêntico insulto à informática moderna. É nesta altura que perco uma parte considerável da minha paciência e faço uma cara muito zangada ao mesmo tempo que sugiro que há coisas mais divertidas que pagar multas e esperar em filas graças a erros sobre os quais não temos responsabilidade nenhuma. Aparentemente intimidei a gentil senhora do guichet que me mandou aguardar e voltou passados 2 minutos com a informação que o meu login de aluno seria desbloqueado, que tudo se devia a uma falha do programa informático, obrigada-não-me-digas, e que voltasse a tentar fazer a inscrição umas horas mais tarde. E de facto, finalmente , fi-la.

º Ressaca º

Há dias em que só o sabor agreste do alcóol me arranca da melancolia para fora. Nesses dias, bebo consciente da impossibilidade de fugir de mim própria.

sábado, outubro 07, 2006

º Porque é que...? º

Porque é que sempre que estou sozinha sou tratada por menina e sempre que estou com a minha namorada sou tratada por senhora?

segunda-feira, outubro 02, 2006

º Ensaio sobre a ruptura II º

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O meu coração. O meu coração azul preso por um alfinete debroado de amantes. Amantes sós, belos, mortos. Beijando levemente a ácida aridez de uma árvore morta sobre o espelho dos astros.
O meu coração... o meu coração azul. Filho bastardo de um poema que ninguém leu.

º poema para o fim da estação Iº

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Tu perguntas, e eu não sei,
eu também não sei o que é o mar.
É talvez a lágrima caída dos meus olhos
ao reler uma carta quando é de noite.
Os teus dentes,
talvez os teus dentes,
miúdos, brancos, agudos, sejam o mar,
um mar pequeno e frágil,
afável,
diáfano,
no entanto sem música.
É evidente que minha mãe me chama
quando uma onda e outra onda e outra
desfaz o seu corpo contra o meu corpo.
Então o mar é carícia,
luz molhada onde desperta
meu coração recente.
Às vezes o mar é uma figura branca
cintilando entre os rochedos.
Não sei se fita a água
ou se procura um beijo entre conchas transparentes.
Não, o mar não é nardo nem açucena.
É um adolescente morto
de lábios abertos aos lábios da espuma.
É sangue,sangue onde a luz se esconde
para amar outra luz sobre as areias.
Um pedaço de lua insiste,
insiste e sobre lento arrastando a noite.
Os cabelos de minha mãe desprendem-se,
espalham-se na água,alisados por uma brisa
que nasce exactamente no meu coração.
O mar volta a ser pequeno e meu,
anémona perfeita abrindo nos meus dedos.
Eu também não sei o que é o mar.
Aguardo a madrugada, impaciente,
os pés descalços na areia.

Eugénio de Andrade, As palavras Interditas
Eugénio de Andrade