sábado, agosto 19, 2006

º Papel de improviso º

Acumulo papéis rabiscados no moleskine. No coração só uma dormência se acumula. Mais uma noite de copos que se acaba, e assim só a tua ausência parece interminável. Na verdade, Lisboa parece imensa sem ti. E há dias em que eu sou tão pequena.
Acumulo papéis rabiscados no moleskine, esboços de um desalinhado papel de improviso. Lembro-me da última frase que me fez rir: "I almost loved you"*. Pensei imediatamente nas mil formas de pronunciar a mesma frase e desisti rapidamente - são assustadoramente muitas. O meu sentido de humor agudiza-se e espalha-se em manchas de tinta no papel de improviso. Ocorrem-me ideias ao acaso: deviam vender sketch books já usados para os preguiçosos e sem inspiração; deviam mandar calar todos os sinos de igreja de lisboa e retirar todos os relógios visíveis nas ruas para que alguns de nós se pudessem esquecer do tempo; o café servido nas esplanadas podia chegar já frio para quem o mexe lenta e repetidamente na esperança de o arrefecer (por exemplo eu). Tenho uma lista imensa destas pequenas idiotices. Com elas esqueço-me de mim e de ti e assim engano a tua ausência no espaço que medeia cada rua. Nada do que escrevo faz sentido, este é o meu papel de improviso.
* Romance&Cigarretes

1 comentário:

Oscar disse...

E como habitar o arco vazio desse hiato provocado pela ausência? Escrever? Não isto não nos salva e nem nos protege. Alia-te ao tempo porque não te resta mais nada a fazer. Um beijo grande. Quando nos veremos, "et la notre musique?" ;)