domingo, julho 16, 2006

º A primeira noite º

A primeira noite.
Aquele poema que vou trauteando devagar como se o tempo fosse uma marioneta de fios entrelaçados.
E a primeira noite.
Os nós dos dedos vermelhos de pressionar o rebordo da mesa. Os nós dos dedos frios, sem ti.
A primeira noite, de janelas fechadas. Fechei-as para me trancar, longe de mim.
Um calor sofucante, nada se mexe, tudo se derrete. Até o tempo derrete como se fosse um brinquedo, uma marioneta de fios entrelaçados.
A primeira noite, num quarto onde tudo me é estranho. Só fumar me faz esquecer . O fumo é espesso como a memória.
Esta noite, marioneta de fios entrelaçados como se adivinhassem que eu parti.

4 comentários:

Romanticida disse...

É sempre estranho no principio.
Aos poucos, sem nos darmos conta, já estamos familiarizados.

É (quase) sempre assim.

:*

romanticida disse...

(diz q não vais estudar contrabaixo para o conservatório de música...)

*

Cigarettes & Vinyl disse...

Não... não vou. O que eu toco é saxofone.
Não me digas que estás a estudar contrabaixo no conservatório de música?

romanticida disse...

contrabaixo não...nem nada, agora. estava lá a tocar piano...mas depois optei só pela dança.

saxofone é bonito...faz-me sempre lembrar piazzola :)

*