terça-feira, julho 18, 2006

º Nos teus telhados de vidro º

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Já não sei quando foi a última vez que te vi. Já nem qual a última vez que me procuraste. Ainda assim reconheceria o teu rosto no meio de uma multidão em fúria. Pode parecer banal, mas é assim.
Esforço-me para te compreender e não consigo. Talvez não seja obscura o suficiente para compreender as movimentações do ego, assim como tu as fazes. O teu silêncio não máta. O teu silêncio, o que faz, é escrever a tinta na minha cabeça os percursos da tua deserção. Como um mapa, mas ao contrário.
Disseste-me, uma vez, que gostas do que eu escrevo. No entanto, o mesmo livro que te dei restará ainda no mesmo sitio sobre a tua cabeceira sem que o tenhas lido. Esforço-me para te compreender e não consigo.
Enquanto arremessas pedras, é nos teus telhados de vidro que olho o meu reflexo. Quem nunca amou? Quem nunca abandonou? Quem nunca escondeu aquele beijo dado a um antigo amor? Quem nunca mentiu?
Gostamos de nos enganar, é o que penso. Quando mentimos a alguém, gostamos de pensar que o fazemos para o bem de um outro que não nós. Não é verdade. Quando mentimos a alguém é só a nós mesmos que fazemos um bem. Somos os seres mais egoístas do mundo. Não, não nasci iluminada: o tempo ensinou-me isto.
Por isso mesmo, não é errado nunca contar a verdade. A verdade é o único amor possível. É o único factor inalienável do tempo.
Talvez o meu erro tenha sido trazer-te ao colo, numa redoma de vidro, com medo constante que caisses e te quebrasses.
Tirei a tua fotografia do meu quarto, não gosto de olhar para ti. Fazes-me sentir que, ainda que corrido este tempo todo, são ainda os erros do passado que ordenam a minha vida. Exerces o poder da culpa como se nunca tivesses ferido um dedo.
Não te censuro. Esforço-me para te compreender e não consigo.
Não consigo.

1 comentário:

Klatuu o embuçado disse...

Pronto, não consegues... Deixa lá isso. :)