segunda-feira, julho 31, 2006

º Digo - lamento - e na verdade minto º

Já não sei que faça desta minha intuição. Tu dizes que mente, e com tuas crueldades vai-la desfazendo devagar.
Adorno as tranças de rosas e tu dizes que te lembram o jardim murcho de um cemitério. Flores secas abandonadas ao esquecimento do tempo. Ofereço-te um sorriso de manhã e só tens o teu eterno azedume para devolver. Em criança desaprendeste a forma de um sorriso.
Choras porque o teu gato te abandonou uma vez. Depois, encontrei o teu gato e trouxe-o de volta a casa. Pergunto-me se te apercebes que o abandonaste já um milhar de vezes. Nunca o devia ter trazido de volta. Disseste-me uma vez que o teu gato era como um caco do passado. O gato que a tua amante te deixou quando te abandonou. Sinto compaixão pelo gato, mas não por ti.
Convidaste-me para viajar contigo. Devolvo-te um sorriso vazio. Não gosto de passar demasiado tempo contigo. Fazes-me entristecer com a tua amargura. Exasperas-me com a tua dureza.
Digo - lamento - e na verdade, minto.
Passado todo este tempo, continuo a acreditar que és a pessoa mais infeliz do mundo.

1 comentário:

Klatuu o embuçado disse...

Anda tudo gótico! :)=