quinta-feira, abril 20, 2006

º O teu amor morreu º

E um dia aquele mar pára. De te puxar, de te morder, de te matar.
Pára. Sim, assim, e é só isso.
Começa a tecer-se na areia da praia uma veia fina de espuma seca. Seca, sim, que o mar (aquele que parou) já não vem humedecer o teu chão de areia fina e pedaços de concha e algas e sal.
Sabes então que o teu amor morreu. E já não sentes dor. E pensas que um dia, já o sabias, aquele mar ia parar de lamber a areia, de te puxar, de te morder. Matou-te e tu morreste e ele também. Como o disparo áspero de uma bala que só pára no corpo mole da sua vitima.
E um dia aquele mar parou. E tu nem sabes quando te deste conta que ele já não te puxa, já não te morde, e tu só morres uma vez. E por isso mais vez nenhuma pelo mesmo mar.
Sabes então que o mar parou e o teu amor morreu e que tu já não sabias que esse mar um dia secava para deixar a tua areia salgada secar também.

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