quarta-feira, março 22, 2006

º Anda ver-me ao fim do dia º

Anda ver-me ao fim do dia, amor
Abre-me as vestes que guardam as cicatrizes
no meu corpo
Anda ver-me ao fim do dia
E na luminiscência breve da pele
verás que me feri.
Anda ver-me junto ao mar
meu velho amigo
a rasgar a ténue linha do horizonte
pérola onde meus olhos se prendem
Anda ver-me ao fim do dia
de pés descalços na areia
E na luminiscência breve do mar
verás como me feri,
como me feri!
E também me curei.
Anda ver-me de madrugada
e espreita estes meus olhos feitos de água salgada
Espreita bem por eles, amor
que estes meus foram feitos para os teus:
- Olha.
Meus olhos castanhos,
filhos trágicos, bastardos
de um amor sem-amor
Anda ver-me de madrugada
espreita-me estes olhos
Estes,
os meus
e diz-me:
- Vim ver-te as cicatrizes, amor
vim ver como te feriste
e também te curaste.

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