quinta-feira, fevereiro 09, 2006

º O meu velho amor és tu º

Há uma certa lentidão na magnificiência das horas. Há lágrimas e sorrisos que se opõem proporcionalmente como a areia salgada da praia se opõe à língua indecisa que desenha a orla do mar.
Olho-o, o mar, e digo, com uma certa infantilidade: - o meu velho amor és tu. Sepultas em ti séculos inteiros. È em ti que o tempo embate, destronado. Nunca serás velho, tu não morres, tu subsistirás. És o meu velho amor e eu, que envelheço, vou continuar a procurar-te até que o tempo me leve.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

º Menina de sal º

Ondulas o corpo pelo espaço como se o tempo não passa-se por ti. Na pele, o mapa traçado de noites em claro, noites bebidas em drogas e alcoól, a leve insónia do prazer. Troças do mundo e das coisas com a mesma subtileza com que te amarras ao chão. Não sentes os anos que correm através de ti como se não desses por eles. Menina de sal, de tempestades e dias chuvosos, graníticos. Tens as mãos arranhadas pela vida mas não esgotadas. Trazes contigo a memória de dias de sol, viagens longas, troços curtos percorridos a pé. Menina de sal, de naus e telas e asfalto quente. Ondulas o teu corpo pelo espaço como se troçasses da dura inevitabilidade das horas.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

º Воспоминание/Remembrance º

Partilho um dos meu poemas preferidos de Pushkin, o poeta russo que me tem deliciado ultimamente.

Whene'er for mortal men the noisy day grows still
And half-transparent shadows of the night.
And slumber, the reward of daily labors,
Sinks down upon the muted city streets
That is the time of night for me, when silent hours
Drag by in agonizing wakefulness:
During the idle night the sting of my heart's serpent
Flames up in me more fervently;
Imagination boils: my mind, opppressed by yearning,
Plays host to a tormenting crowd of thoughts;
Before my eyes, remembrance silently
Draws out its lengthy scroll;
And I, repulsed, review the story of my life,
I shudder and I curse,
Weep bitter tears and bitterly complain,
But cannot wash the dismal lines away.
««»»
Когда для смертного умолкнет шумный день
И на немые стогны града
Полупрозрачная наляжет ночи тень,
И сон, дневных трудов награда,
В то время для меня влачатся в тишине
Часы томительного бденья:
В бездействии ночном живей горят во мне
Змеи сердечной угрызенья;
Мечты кипят; в уме, подавленном тоской,
Теснится тяжких дум избыток;
Воспоминание безмолвно предо мной
Свой длинный развивает свиток:
И, с отвращением читая жизнь мою,
Я трепещу, и проклинаю,
И горько жалуюсь, и горько слезы лью,
- Но строк печальных не смываю
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