domingo, janeiro 22, 2006

º Parte-me o silêncio ao meio º

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Foi depois de ti que comecei a padecer de patologias estranhas, raras, mesmo exóticas. Convulsões de abandono e uma ausência de tradução implacáveis.
- Parte-me o silêncio ao meio dizia eu, de copo de vinho em punho. Parte-mo como se colhesses uma rosa brava no deserto. Ensaiava o gesto de colher uma rosa do chão e estendia-te a flor invisível que acabava de matar pelo prazer da sua beleza.
Hoje penso na beleza como penso numa pausa entre as notas de uma pauta. Não sei explica-la de outra forma e possivelmente irei refinar esta idea com o tempo até que a torne ilegível como uma caligrafia apaixonada.
- O silêncio não é uma nota que se esqueceu de tocar, disse eu enquanto colava as mãos ao vidro das janelas. As notas é que são silêncios que se esqueceram de se ouvir e por isso tu és como uma folha de pauta em branco.
Quase gosto desta doença que contraí com o tempo e a sua implacável falta de repouso. É nela que me abrigo para seduzir a saudade até à minha cama. Não uso relógios e desfiz-me de agendas e calendários. Se não posso controlar o tempo, vou antes enganá-lo.
- A paixão pelas coisas magnéticas são como o ar dentro de um instrumento de sopro, rematei eu cheia de certezas, pertence a um intervalo de tempo da mesma natureza donde rompe a leitura de um poema.
Sim, gosto de silêncio. E depois?

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