segunda-feira, janeiro 16, 2006

º Os corações também se gastam º

" Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os medicamentos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo-me que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. [...] Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar prefiro a minha doença. O meu único sossego encontro-o nos sonhos que não se convertem em pesadelos.
Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, famílias e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade."
Pedro Paixão
Para mim, com ironia

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