segunda-feira, janeiro 30, 2006

O meu coração é um satélite fora de órbita, qual naúfrago perdido no espaço.

domingo, janeiro 22, 2006

º Parte-me o silêncio ao meio º

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Foi depois de ti que comecei a padecer de patologias estranhas, raras, mesmo exóticas. Convulsões de abandono e uma ausência de tradução implacáveis.
- Parte-me o silêncio ao meio dizia eu, de copo de vinho em punho. Parte-mo como se colhesses uma rosa brava no deserto. Ensaiava o gesto de colher uma rosa do chão e estendia-te a flor invisível que acabava de matar pelo prazer da sua beleza.
Hoje penso na beleza como penso numa pausa entre as notas de uma pauta. Não sei explica-la de outra forma e possivelmente irei refinar esta idea com o tempo até que a torne ilegível como uma caligrafia apaixonada.
- O silêncio não é uma nota que se esqueceu de tocar, disse eu enquanto colava as mãos ao vidro das janelas. As notas é que são silêncios que se esqueceram de se ouvir e por isso tu és como uma folha de pauta em branco.
Quase gosto desta doença que contraí com o tempo e a sua implacável falta de repouso. É nela que me abrigo para seduzir a saudade até à minha cama. Não uso relógios e desfiz-me de agendas e calendários. Se não posso controlar o tempo, vou antes enganá-lo.
- A paixão pelas coisas magnéticas são como o ar dentro de um instrumento de sopro, rematei eu cheia de certezas, pertence a um intervalo de tempo da mesma natureza donde rompe a leitura de um poema.
Sim, gosto de silêncio. E depois?

º O gato e a fera º

Tenho o temperamento dos gatos. O temperamento esquivo e atento dos gatos. Disseram-mo. Na verdade, gosto de me sentar num canto confortável e discreto nos bares onde observo minuciosamente o espaço. Decomponho os sons e os movimentos e as caras em partes que depois associo, somo e divido de forma aleatória. Construo laços e confiança lentamente, sou cautelosa mas curiosa como os gatos. Defendo o meu espaço e o coração - território sem muros - de forma instintiva e cortante. Se me sinto entediada desapareço de um pulo para um sitio onde possa repousar o animal que há em mim. Sim, sou como os gatos. Sei, aliás, que há em cada ser que move um animal à espera, ora feroz ora dócil. Reconheço-o pelo olhar. Assim, não temo ninguém. Temo as feras por baixo da pele. É nos ossos que se esconde a fera, localizada por detrás do reflexo do espelhos. No meu corpo, entranhada no meu esqueleto, há também uma fera.
Uma fera na selva.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

º O que fazes com o que fizemos º

Podes ignorar-me. Esquecer-me. Criticar-me. Responsabilizar-me. Podes contar a história como queiras, omitir o que te convier. Podes esconder o que quiseres. Dizer que fui eu. Só eu.
Já não me importa o que fazes com o que fizemos.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

º Mensagem muda #8 º

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º Os corações também se gastam º

" Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os medicamentos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo-me que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. [...] Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar prefiro a minha doença. O meu único sossego encontro-o nos sonhos que não se convertem em pesadelos.
Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, famílias e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade."
Pedro Paixão
Para mim, com ironia

terça-feira, janeiro 10, 2006

º Mensagem muda #7 º

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º Mensagem muda #6 º

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sexta-feira, janeiro 06, 2006

º Mensagem muda #5 º

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º Mensagem muda #4 º

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º Mensagem muda #3 º

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quarta-feira, janeiro 04, 2006

º Mensagem muda #2 º

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º Mensagem muda #1 º

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domingo, janeiro 01, 2006

º Mês da mensagem muda º

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Mensagem muda é um conceito de comunicação através da imagem que foi utilizado pela minha turma de 10º ano em Oficina de Artes para trocar mensagens, exprimir uma ideia ou um sentimento. Mais simpáticas, mais enigmáticas, mais provocantes ou mais banais lá surgiam recortes de imagens, fotografias, colagens ou mesmo folhas, flores, pequenos objectos colados ao painel destinado para o efeito. A ideia é que a imagem seja olhada, lida e interpretada de uma forma muito própria sem aquela limitação da legenda impondo um significado pré-definido e de forma a estimular uma linguagem plástica em alternativa à linguagem comum e ao seu limite expressivo.
Recrio aqui de forma virtual a ideia do divertido quadro de imagens do velhinho atelier T12 perdido no 1º piso do bloco 4 da escola da minha adolescência.
Se quiseres "colar" a tua mensagem muda neste painel virtual, és benvind@, envia a imagem para cigarettesvinyl[at]gmail.com.