sábado, dezembro 30, 2006

º I absolutely love you and i absolutely mean this º

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"I'm an absolute beginner, And I'm absolutely sane, As long as we're together, The rest can go to hell, I absolutely love you..." and i absolutely mean this.
David Bowie

º 2006 foi bom, 2007 promete ser muito melhor!º

Como já repararam estou cheia de espírito positivo para o novo ano que aí vem. Depois do anus horribilis que foi 2005, este ano que agora finda foi a melhor coisa que podia ter acontecido aos meus nervos de menina.
Por isso, desejo umas grandes entradas para toda a gente e que curtam muito nesta passagem... ou pelo menos tanto como eu espero curtir na Zambujeira do Mar a dar as boas vindas ao novo ano perto do meu velho amigo... o mar.

sábado, dezembro 23, 2006

º Elfic X-mas to everybody :) º

.... e porque eu e o Natal sempre tivemos uma relação difícil... e porque me sinto quase sempre triste no Natal... uma boa razão para rir e sorrir. Para todas as pessoas que são importantes para mim (até aquelas que acham que não são) desejo um Natal cheio de coisas boas e.... aqui fica a minha prendinha http://www.elfyourself.com/?userid=d392ed6022aeaf013264253G06122216

sexta-feira, dezembro 01, 2006

º B.I : eu e os cigarros º

Fumo por distracção. Por prazer. Fumo devagar os meus cigarros, longos e suaves. Não gosto de tabaco de sabor e travo forte. Só quando fumo de alma ao abismo. Para sentir os sentidos a funcionar, qualquer coisa a causar uma impressão física directa e dura, para ter a certeza que ainda estou de pés no chão.
Deitada no chão à noite, é como gosto mais de fumar. No meu ou no de outra pessoa qualquer.
Fumo para ocupar as mãos, para me sentir mais acompanhada. Parece um disparate, mas é assim.

º Porque é que....? º

... toda a gente acha que a minha namorada é a minha mãe?!

terça-feira, novembro 28, 2006

º Preciso de férias... º

quarta-feira, novembro 15, 2006

º B.I. : Hobbies - A arte do Bonsai

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Bonsai significa "árvore em vaso". Segundo os monges budistas e o budismo Zen devido à abrangência da arte de Bonsai (lado artístico, técnico, estético, horticultural e espiritual) e à filosofia inerente ao seu cultivo, o Bonsai é considerado uma forma de meditação em movimento, sendo o meio perfeito de entrarmos em contacto com o nosso "eu" interior e com a natureza.
Tenho 2 Bonsai à minha guarda: um, que me chegou às mãos doente, descarnado de qualquer folha e com uma boa parte das raízes morta - o Kakuro - ao qual estou a dar a maior parte da minha atenção e no qual estou a aplicar um tratamento de recuperação. O outro, uma oferta, ao qual dei o nome de Mhajong tem 3 anos e está de boa saúde. Está a passar a fase de transplantação de vaso e em breve vai ter uma intervenção estética. Em breve fotografias deles aqui no blog. Quem quiser saber mais sobre esta arte milenar pode dar um salto aqui, aqui ou aqui.
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º B.I. : Não gosto...

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... de sapatos apertados. De sapatos que magoam os pés. Gosto de sneakers e sapatos de confortáveis. Respeito os meus pés, afinal são eles que me levam a todo o lado.

domingo, novembro 12, 2006

B.I. : Eu e a verdade

A verdade é o único amor possível. Tenho a certeza disso.

quarta-feira, novembro 01, 2006

º B.I. : Eu e o Abismo º

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Tenho os meus fantasmas. Conhecemo-nos bem. Há entre nós um silencioso pacto de paz. Por vezes uma flecha azul atravessa-me a espinha - é o sinal, sempre combinado, da sua ruína. Nem sempre foi assim.
Conheci em tempos uma mulher que me levou para casa. Nas minhas mãos leu poesia e leu também o fatal síndroma da vaidade. Recordo bem as suas mãos, decididas, a agarrar as minhas como se o mundo fosse uma esfera a boiar dentro de outra esfera, e outra e outra. Só segura assim umas mãos com firmeza quem nada sabe de si. Era como uma divindade atirada ao solo, cujo castigo, pela sua infinita melancolia, fosse permanecer na terra para revelar aos outros a simplicidade do abandono. Tentei resistir em vão. Quanto mais me debatia mais ela me puxava à terra, aos meus monstros. Às perdas por saborear. À saudade sempre ausente. E eu, barreira armada de silêncios, tive então visões persistentes do Abismo. Era à noite que os fantasmas mais dançavam e foi pelas mãos dela que regressaram, vezes sem conta. Finalmente, um dia chorei olhando-a de frente - as mãos dela apertando as minhas com força como se espremesse um fruto triste. E então, ela desapareceu. Foi assim que aprendi chorar. Tenho os meus fantasmas e, desde então, conhecemo-nos bem.

domingo, outubro 29, 2006

º B. I. : Eu e a música º

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É na música que encontro finalmente a minha casa. Foi esta a linguagem que aprendi ao invés da fala. Sou como o arco de um contrabaixo pressionado contra as cordas de um gigante de palco. É na música o sítio onde posso repousar, onde me desencontro. É aqui que posso morrer sem ninguém me perturbar.

quarta-feira, outubro 25, 2006

º B.I. : O começo º

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Nasci no Hospital de São Sebastião da Pedreira (Lisboa) a 17 de Novembro de 1983 e tenho, portanto, 22 anos. O meu nome é irrelevante. No mesmo dia, 20 minutos depois nascia a minha irmã gémea. Pouco sei sobre o dia em que nasci. Talvez chovesse, ou não. A minha avó quis dar-me um nome estranho e as minhas tias e padrinhos e madrinhas e sei lá que mais, outros tantos menos convencionais. Foram os meus pais que decidiram e não se falou mais no assunto. O alinhamento dos astros e planetas e cometas, entre outos elementos astrais que praticamente desconheço ditam que sou Escorpião com ascendente em Escorpião. Ainda hoje não sei o que isso significa, se é que significa qualquer coisa exacta e fiel. A minha mãe é natural da Guarda (no Norte) e o meu pai de Rio Maior (no Oeste) e vivi até á pouco tempo em Almada (Margem Sul do Tejo). O meu B.I. diz que sou natural de Lisboa, e mais recentemente que resido em Lisboa também, mas na verdade não me sinto natural de sítio nenhum. Talvez seja natural do sítio ondem passam os meus sapatos, o que é um ponto de vista com que me sinto mais confortável. Segundo o meu B.I. tenho 1.75 cm. Os meus olhos e o meu cabelo são castanhos.
Heis-me, acho.

terça-feira, outubro 24, 2006

º Bilhete de identidade ou (re)começar do centro do coração º

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Seguindo a sugestão de um psicólogo, decidi regressar a mim mesma. Para me (re)visitar. Voltar à raiz, uma qualquer que eu esqueci pelo caminho. Quem sou eu, onde me posiciono na geografia de um cosmos que me engole. Coisas que me fascinam. Que me entristecem. Coisas belas e fobias. Bilhete de identidade de mim própria em etapas. Terapia a começar do centro. Do centro do coração.

segunda-feira, outubro 23, 2006

º Hoje estou num dia não º

quarta-feira, outubro 18, 2006

º 2º Aniversário da Trem Azul Jazz Store º

A Trem Azul Jazz Store vai comemorar o seu segundo aniversário. São 2 anos de boa música, bons concertos e boas exposições. Na terça feira dia 31 de Outubro comemora-se: A Festa começa às 19:30 e por volta das 21:30 há o já habitual concerto com Lugar da Desordem, com Paulo Curado nos saxofones, Ken Filiano no contrabaixo e o Bruno Pedroso na Bateria. E como festa é festa ainda há desconto de 10% em todos os cd's que não estão em promoção.
Vale a pena ir!

segunda-feira, outubro 16, 2006

º Gérard Castello Lopes º

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Para o deleite dos que gostam de fotografia do século XX, aqui fica uma das fotografias que mais me sensibilizou até hoje. Já agora vale a pena dar uma espreitadela à obra do Gérard Castello Lopes, um dos meus fotógrafos de eleição. E a imagem fala por si. I rest my case.

º Eu vou.. ao EITEC! º

EITEC - 2º Encontro Internacional de Tecnologias Aplicadas à Museologia, Conservação e Restauro

É em Coimbra nos dias 19 e 20 de Outubro e surge como um fórum para a apresentação, discussão, e sugestão de novas proposições, novas ideias e aplicações, principalmente, da possibilidade dum conhecimento actual e aprofundado de outros (novos) meios tecnológicos aplicados á Museologia, Conservação e Restauro.
Imperdível para quem se interessa por museologia aplicada à conservação e restauro. Para quem estiver interessado podem ver também o programa aqui . O único ponto baixo (aliás, baixissímo) é o preço da inscrição.
Eu vou! (mas não é ao Rock in Rio)

terça-feira, outubro 10, 2006

º Á tona deste manto º

O tempo passa sem parar para perguntar porquê. Deixa-nos à nossa sorte. Assim, vai-nos engolindo. Primeiro as mãos, os pés, os cabelos, os olhos e os lábios, os ombros, a barriga, até finalmente fazer submergir um corpo inteiro. Um imenso manto que nos submerge os corpos e os pensamentos para que nada, absolutamente nada, possa voltar atrás. Só a memória resta à tona deste manto, eternamente ameaçada de afundar no seu barco sobre o mar.

segunda-feira, outubro 09, 2006

º A minha faculdade e eu ou a história de um pequeno pesadelo burocrático º

Novo ano lectivo a começar. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Não-sei-quantos mil alunos histéricos de um lado para o outro (como aqueles carrinhos de brinquedo com sensor de toque que mudam de direcção aleatóriamente quando batem num obstáculo). E eu e o meu horror a multidões em fúria. E o meu insistente sentido de ordem. E o persistente sentido de desordem dos serviços académicos.
Tiro uma senha na Secretaria Académica - nº 86 série 5. E o mostrador digital aponta para o 19 série 3. Que sorte - penso eu - afinal podia perfeitamente ter tirado uma senha da série 6 ou 7 ou 8. Assim só tenho de esperar 1 hora e 50 minutos para ser atendida. Adoro perder tempo. É aliás um dos meus desportos preferidos, principalmente quando tenho de estar ali porque a minha inscrição não ficou registada. O que não me surpreende de todo. 4 anos de FCSH têm o curioso efeito de nos tornar muito mais crédulos em coisas estranhas e aparentemente ilógicas. Para fazer uma inscrição na minha faculdade é necessário o seguinte pela seguinte ordem: - verificar as disciplinas a que pretendemos inscrever-nos, irmos à secretaria do nosso departamento verificar se as cadeiras abriram e pedir um papel de pré-inscrições, escrever as disciplinas e os códigos (que estam afixadas nos serviços académicos), carimbar o papel na secretaria, ir à sala de pré-inscrições e introduzir o pedido de pré -inscrição no computador. Depois temos de ir à tesouraria pagar as propinas, preencher mais um papel para servir de recibo de pagamento e esperar que o pagamento dê entrada. Depois é necessário fazer a incrição online, o que seria finalmente muito simples não fosse o caso do sistema ter 300 bugs diferentes que fizeram com que não conseguisse fazer a minha inscrição online até à data prevista. Assim lá estou eu na secretaria a perder tempo para informar alguém do único guichet a funcionar nesta trampa de serviços académicos (sim, é nesta altura que começo a ter vontade de praguejar) que não concluí o processo de inscrição por indisponibilidade do sistema. Isto para que a mesma pessoa me informe que o prazo de inscrição terminou e que para me inscrever terei de pagar uma multa de 13.50 euros porque o software disponibilizado pela faculdade para efectuar inscrições é um autêntico insulto à informática moderna. É nesta altura que perco uma parte considerável da minha paciência e faço uma cara muito zangada ao mesmo tempo que sugiro que há coisas mais divertidas que pagar multas e esperar em filas graças a erros sobre os quais não temos responsabilidade nenhuma. Aparentemente intimidei a gentil senhora do guichet que me mandou aguardar e voltou passados 2 minutos com a informação que o meu login de aluno seria desbloqueado, que tudo se devia a uma falha do programa informático, obrigada-não-me-digas, e que voltasse a tentar fazer a inscrição umas horas mais tarde. E de facto, finalmente , fi-la.

º Ressaca º

Há dias em que só o sabor agreste do alcóol me arranca da melancolia para fora. Nesses dias, bebo consciente da impossibilidade de fugir de mim própria.

sábado, outubro 07, 2006

º Porque é que...? º

Porque é que sempre que estou sozinha sou tratada por menina e sempre que estou com a minha namorada sou tratada por senhora?

segunda-feira, outubro 02, 2006

º Ensaio sobre a ruptura II º

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O meu coração. O meu coração azul preso por um alfinete debroado de amantes. Amantes sós, belos, mortos. Beijando levemente a ácida aridez de uma árvore morta sobre o espelho dos astros.
O meu coração... o meu coração azul. Filho bastardo de um poema que ninguém leu.

º poema para o fim da estação Iº

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Tu perguntas, e eu não sei,
eu também não sei o que é o mar.
É talvez a lágrima caída dos meus olhos
ao reler uma carta quando é de noite.
Os teus dentes,
talvez os teus dentes,
miúdos, brancos, agudos, sejam o mar,
um mar pequeno e frágil,
afável,
diáfano,
no entanto sem música.
É evidente que minha mãe me chama
quando uma onda e outra onda e outra
desfaz o seu corpo contra o meu corpo.
Então o mar é carícia,
luz molhada onde desperta
meu coração recente.
Às vezes o mar é uma figura branca
cintilando entre os rochedos.
Não sei se fita a água
ou se procura um beijo entre conchas transparentes.
Não, o mar não é nardo nem açucena.
É um adolescente morto
de lábios abertos aos lábios da espuma.
É sangue,sangue onde a luz se esconde
para amar outra luz sobre as areias.
Um pedaço de lua insiste,
insiste e sobre lento arrastando a noite.
Os cabelos de minha mãe desprendem-se,
espalham-se na água,alisados por uma brisa
que nasce exactamente no meu coração.
O mar volta a ser pequeno e meu,
anémona perfeita abrindo nos meus dedos.
Eu também não sei o que é o mar.
Aguardo a madrugada, impaciente,
os pés descalços na areia.

Eugénio de Andrade, As palavras Interditas
Eugénio de Andrade

terça-feira, setembro 26, 2006

º Ensaio sobre a ruptura II º

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De repente o tempo pára em nós. Gela-se o coração. Não se entende a subtil ferida de um desfecho, a língua emitindo punhais brancos que deixam na pele cortes breves, mas fundos. A dor alastra para qualquer coisa entre a alma e o coração. Então, a noite torna-se madrasta da mais clara das insónias: a do amor em decadência.

segunda-feira, setembro 25, 2006

º Ensaio sobre a ruptura I º

Já não sei escrever. Vou rasgar os meus poemas. Deitá-los ao fogo. Desprezá-los.
Não me peças para te ler em voz alta o teu autor preferido. Fere-me a sua métrica. E as imagens do mar.
Não me toques, senão desmancho-me... desmancho-me.

º Tristeza incondicional II º

Morrer devagar dói mais por isso.

domingo, setembro 24, 2006

º Tristeza incondicional I º

Aperto poemas que li junto ao coração. Aperto-os com força, como quem mata a fome de uma droga.
Hoje vou desfazer-me, desmanchar-me, manchar o chão de sangue.
Aperto poemas que li. A outra mão agarrando com firmeza o nó do cordão invisível que suspende o coração.

terça-feira, setembro 19, 2006

ºA ver: Exposição de Gonçalo Sena - Técnica de gravura º

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Esta exposição apresenta um conjunto de trabalhos que resultam do processo de criação de si mesmos através de técnicas de gravura utilizadas individual ou simultaneamente em cada trabalho.Estes objectos surgem como resultados hipotéticos de uma pesquisa não terminada, na qual, as capacidades físicas de técnicas como a xilogravura, a litografia e a serigrafia, são uma forma de atingir o fim pretendido.A reprodutibilidade é ainda um ponto em foco nesta prática, que neste caso, é utilizada inversamente, isto é, tirando partido da impossibilidade física de se reproduzir algo verdadeiramente fiel ao original. Neste caso, não existe O original, existem objectos.Estes têm um formato definido, e apresentam uma relação entre o resultado prevísivel e a aleatoriedade inerentes ao seu processo de realização.
9 de Setembro a 14 de Outubro na Trem Azul Jazz Store (Rua Do Alecrim 21 A 1200-014 Lisboa)

º 2 fragmentos para o fim da estação º

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Falas dos pássaros
Mas não sabes
Do longo retorno que nos toma
A travessia da outra margem
Em voo picado ou planando
Não sabes
Quando falas dos pássaros
Que é de ninguém este chão
E que é luminiscente esta boca
Em que morrem
Os secretos vícios dos amantes
*****
Na cama a pérola apagada
Extinta
Dos pássaros ocasionais de Inverno
Na mão uma amêndoa e um ramo
Frescos
A euforia asfixiada entre nós
E a rendição
Da mais querida mentira de todas
O amor reinventado.

segunda-feira, setembro 04, 2006

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"I needed to put down my telescope, so i walked down to the sea. My boots were full of fog. Lying on a rock i stuck my head in the cold water. From under the waves that kissed my shoulders, i could hear it's faint bells drifting closer. But would the summer make good for all of our sins?"

Múm

º ... º

Dá-me um sinal.

º da poesia e do colapso º

Da poesia e do colapso, em partes fragmentadas.
Nada mais sei de cor.
Um verso embrulhado num papel de parede, a beleza morta de uma casa que cede à ruína.
O beijo vertido de um copo sujo para a palma da minha mão.
Minha mão. Da poesia e do colapso, em partes fragmentadas.
Nada mais sei de cor, nada mais.

º música de ouvir à noite deitada no chão da sala I º

O penúltimo albúm dos islandeses Múm, o precioso summer make good
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Os sons africanos com um dedo de Frederic Galliano e Llorca, o envolvente Frikyiwa - collection 2.
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... e os meus eternos Cocteau Twins na edição de colecção Lullabies to Violaine , um dos mais belos projectos de música para os meus ouvidos...
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sábado, agosto 19, 2006

º Papel de improviso º

Acumulo papéis rabiscados no moleskine. No coração só uma dormência se acumula. Mais uma noite de copos que se acaba, e assim só a tua ausência parece interminável. Na verdade, Lisboa parece imensa sem ti. E há dias em que eu sou tão pequena.
Acumulo papéis rabiscados no moleskine, esboços de um desalinhado papel de improviso. Lembro-me da última frase que me fez rir: "I almost loved you"*. Pensei imediatamente nas mil formas de pronunciar a mesma frase e desisti rapidamente - são assustadoramente muitas. O meu sentido de humor agudiza-se e espalha-se em manchas de tinta no papel de improviso. Ocorrem-me ideias ao acaso: deviam vender sketch books já usados para os preguiçosos e sem inspiração; deviam mandar calar todos os sinos de igreja de lisboa e retirar todos os relógios visíveis nas ruas para que alguns de nós se pudessem esquecer do tempo; o café servido nas esplanadas podia chegar já frio para quem o mexe lenta e repetidamente na esperança de o arrefecer (por exemplo eu). Tenho uma lista imensa destas pequenas idiotices. Com elas esqueço-me de mim e de ti e assim engano a tua ausência no espaço que medeia cada rua. Nada do que escrevo faz sentido, este é o meu papel de improviso.
* Romance&Cigarretes

segunda-feira, julho 31, 2006

º Digo - lamento - e na verdade minto º

Já não sei que faça desta minha intuição. Tu dizes que mente, e com tuas crueldades vai-la desfazendo devagar.
Adorno as tranças de rosas e tu dizes que te lembram o jardim murcho de um cemitério. Flores secas abandonadas ao esquecimento do tempo. Ofereço-te um sorriso de manhã e só tens o teu eterno azedume para devolver. Em criança desaprendeste a forma de um sorriso.
Choras porque o teu gato te abandonou uma vez. Depois, encontrei o teu gato e trouxe-o de volta a casa. Pergunto-me se te apercebes que o abandonaste já um milhar de vezes. Nunca o devia ter trazido de volta. Disseste-me uma vez que o teu gato era como um caco do passado. O gato que a tua amante te deixou quando te abandonou. Sinto compaixão pelo gato, mas não por ti.
Convidaste-me para viajar contigo. Devolvo-te um sorriso vazio. Não gosto de passar demasiado tempo contigo. Fazes-me entristecer com a tua amargura. Exasperas-me com a tua dureza.
Digo - lamento - e na verdade, minto.
Passado todo este tempo, continuo a acreditar que és a pessoa mais infeliz do mundo.
Há dias em que só me apetece desaparecer. Puf.

quinta-feira, julho 20, 2006

º Um pardal bébé à porta de casa º

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Encontrei um pardal bébé à minha porta. Olhando à volta suponho que tenha caido de um ninho no telhado do prédio. Trouxe-o para casa. Fiz-lhe um ninho. Fiz uma pesquisa na internet: "feed baby sparrow" e encontrei o método para tratar e alimentar o pequenino benjamim pardal (a internet é um mundo). Uma mistura de ração proteica e vitaminas para aves, com cálcio desse que se vende aí em tabletes, ovo e pasta de maça é o ideal para a sua dieta. E alimentá-lo de 2 em 2 horas. E mantê-lo quente. A possibilidade de sobrevivência de uma ave bébé em cativeiro é quase nula, dizem os especialistas. Fico um pouco desanimada. Não se perde nada em tentar, anyway.
Chamei-lhe Sebastião, tem entre 2 e 4 semanas e é o meu mais recente amor.

terça-feira, julho 18, 2006

º Nos teus telhados de vidro º

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Já não sei quando foi a última vez que te vi. Já nem qual a última vez que me procuraste. Ainda assim reconheceria o teu rosto no meio de uma multidão em fúria. Pode parecer banal, mas é assim.
Esforço-me para te compreender e não consigo. Talvez não seja obscura o suficiente para compreender as movimentações do ego, assim como tu as fazes. O teu silêncio não máta. O teu silêncio, o que faz, é escrever a tinta na minha cabeça os percursos da tua deserção. Como um mapa, mas ao contrário.
Disseste-me, uma vez, que gostas do que eu escrevo. No entanto, o mesmo livro que te dei restará ainda no mesmo sitio sobre a tua cabeceira sem que o tenhas lido. Esforço-me para te compreender e não consigo.
Enquanto arremessas pedras, é nos teus telhados de vidro que olho o meu reflexo. Quem nunca amou? Quem nunca abandonou? Quem nunca escondeu aquele beijo dado a um antigo amor? Quem nunca mentiu?
Gostamos de nos enganar, é o que penso. Quando mentimos a alguém, gostamos de pensar que o fazemos para o bem de um outro que não nós. Não é verdade. Quando mentimos a alguém é só a nós mesmos que fazemos um bem. Somos os seres mais egoístas do mundo. Não, não nasci iluminada: o tempo ensinou-me isto.
Por isso mesmo, não é errado nunca contar a verdade. A verdade é o único amor possível. É o único factor inalienável do tempo.
Talvez o meu erro tenha sido trazer-te ao colo, numa redoma de vidro, com medo constante que caisses e te quebrasses.
Tirei a tua fotografia do meu quarto, não gosto de olhar para ti. Fazes-me sentir que, ainda que corrido este tempo todo, são ainda os erros do passado que ordenam a minha vida. Exerces o poder da culpa como se nunca tivesses ferido um dedo.
Não te censuro. Esforço-me para te compreender e não consigo.
Não consigo.

segunda-feira, julho 17, 2006

º Prophesy º

«Technology is a drug.
We can't get enought of it.
We feed it to our kids and whatch them grow on a forced diet of desensitization. Switch on the T.V. and someone will tell you 50.000 people died in India. Two seconds later you're watching a comedy. Technology can do that. It gives us simulated realities that make us oblivious to the real world. Heroin does the same thing. So do most class A drugs. Basically, we are all addicts - addicted to the comfort and convenience that technology provides - addicted to the notion that progress is directly related to the size of your computer screen. Of course it is. We must be right. We come from the devoloped world. We're already devoloped. Sure. Then again, wealthy kids in America shoot each other. Poor kids in Soweto can't stop smiling.
So who's devoloped?
I met an Aborigine in Amhemland, Australia - his nephews showed me symbols where i saw trees and rainbows trough smoked glass. They could see fish through clouded water. I couldn't even see my own reflection. I must have forgotten how.
When i look in front of me, i see two paths - spiritual or material. Two worlds - devoloped or devoloping. You decide wich is wich. We're still in the wake of millennium paranoia - earthquakes, floods, end of world scenarios, cult siucides, viral diseases that eat into our computer realities. This is our devoloped world.
Then, as Nelson Mandela says "we are free to be free".
I guess we make our own prophecies.»
Nitin Sawhney, Prophesy, 2001

º Gosto de te ter assim º

Gosto de te ter assim, adormecida ao meu lado. O silêncio impera sobre tudo. Só nos somos maiores. Só nós.

domingo, julho 16, 2006

º A primeira noite º

A primeira noite.
Aquele poema que vou trauteando devagar como se o tempo fosse uma marioneta de fios entrelaçados.
E a primeira noite.
Os nós dos dedos vermelhos de pressionar o rebordo da mesa. Os nós dos dedos frios, sem ti.
A primeira noite, de janelas fechadas. Fechei-as para me trancar, longe de mim.
Um calor sofucante, nada se mexe, tudo se derrete. Até o tempo derrete como se fosse um brinquedo, uma marioneta de fios entrelaçados.
A primeira noite, num quarto onde tudo me é estranho. Só fumar me faz esquecer . O fumo é espesso como a memória.
Esta noite, marioneta de fios entrelaçados como se adivinhassem que eu parti.

sexta-feira, junho 30, 2006

º Mudanças ou (re)começar de novoº

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8 meses depois. Mudar de casa.
Empacotar as coisas. Selar as caixas. Tirar as minhas fotografias da parede. E os postais. Recolher todas as velas, o queimador de incenso. Desmontar a minha cama japonesa. Arrumar os livros e discos. Tirar as fotos do Joshua Benoliel da parede. Recolher a escova de dentes, o meu roupão de banho. As toalhas, os chinelos. Os meus VHS e dvd. O meu cachimbo de água. Os meus sapatos. Os meus lençois. As almofadas. A minha roupa. As minhas peugas pequenas de verão. As minhas meias de risquinhas. As minhas folhas de pauta. O meu metrónomo de corda. A cera das velas no chão do meu quarto. As portadas das janelas. Aquela porta perra. Os cigarros que eu fumei na sala. As lágrimas que eu chorei no corredor. A fechadura da porta. As gargalhadas que eu dei à janela. O sol que eu pintei a amarelo para me alegrar. E as paredes vermelhas do meu quarto, que eu pintei numa tarde de inverno.
Mudar-me temporariamente para o Bairro.
Mudar de vida.
Começar de novo. Outra vez.

quarta-feira, junho 28, 2006

º Há dias assim º

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quinta-feira, junho 22, 2006

º Olhando por trás das costas sem, no entanto, me virar º

ela disse: - há na tua voz uma frieza subtil, como que um desencanto de mim.
eu disse: - quando as nossas mãos se tocam, agora, é como uma melodia que deixou de tocar, uma corda partida de uma guitarra, uma orquestra sem maestro, o som estrangulado de uma flauta.
ela disse: - uma melodia que deixou de tocar.
eu disse: - sim... estar aqui contigo é como caminhar para a frente, olhando por trás das costas sem, no entanto, me virar.
e conclui: - deixou de tocar, uma melodia que deixou de tocar. Parou.

quarta-feira, junho 21, 2006

º Anotamentos de desgate II º

Não gosto de mentiras. Elas só trazem solidão.

º Anotamentos de desgate I º

Custa-me a levantar de manhã. Talvez sejam demasiadas noites em branco a pesar-me agora. Durante a tarde sinto-me sonolenta e não consigo estudar. Durante a noite tenho insónias e estudo até o fumo dos cigarros me intoxicar e um charro me ajudar a adormecer. Já lá vai um més de exames e a recta final parece sempre a pior.

domingo, junho 18, 2006

º Tem-se um anel e nove dedos mais º

Na estaticidade surda do quarto as minúsculas partículas de pó, tornam-se ora vísiveis ora invisiveis, na luz rasante despejada pelas frestas dos estores. São como línguas estas frestas, e percorrem as paredes como um animal rastejante que se quer inteirar do espaço em volta. Apercebo-me do cenário. É de manhã, mas não saberia dizer que horas são ao certo. De manhã, é vago, como é vago também este cenário como se estivesse a diluir-se devagar. Na cama estou eu, envolvida num lençol vermelho-sangue (lembro-me, eu disse-lhe gosto de vermelho-sangue). O lençol parece-me uma mancha contra as paredes, brancas. Á minha volta tudo está impecavelmente arrumado e limpo - a roupa dela dobrada sobre a cadeira, as velas e as molduras milimetricamente situadas e dispostas para o observador, as telas que eu pintei, as fotografias, o cheiro do incenso que eu trouxe numa tarde.
Só a minha roupa está espalhada pelo chão - o paradoxo. Tudo me parece, de repente, plástico, artificial como uma grande montagem de cenografia. Tudo aqui é um esforço metódico para captar a imagem perfeita e prolongá-la, cristalizá-la. Eu, espectador-actor de 1º acto, numa peça da qual desconheço o nome e as deixas, de palco cheio e plateia vazia.
De repente acorda-se e tem-se uma casa, um corpo deitado ao nosso lado, muitos gatos, um cão, uma familia. Acorda-se, e é assim, tem-se muita coisa e não se esperava nada. Tem-se um anel, nove dedos mais, muitas dúvidas e poucas certezas.

quarta-feira, junho 14, 2006

º Agarra-me esta noite... º

Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres assim
Meu corpo é o teu mundo
Um beijo, um segundo
E és parte de mim

Para onde olhares, eu corro
Se me faltares, eu morro
Quando vieres distante
Corto as amarras e
Tocam guitarras por ti como dantes

Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite que amanhã não estou aqui...

º Acabo de cuspir o coração º

"Algo estava a sair-me da garganta, a estrangular-me. Rasguei o cordão que o retinha e arranquei-o. Voltei para a cama e disse: acabo de cuspir o coração. (...)
Aqueles que escrevem sabem o processo. Pensei nisto enquanto cuspia o coração."
Anäis Nin, A casa do incesto

domingo, junho 11, 2006

º Hoje sou angolana º

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E porque nas últimas semanas vimos emergir o neo nazismo dos ultra nacionalistas, e porque o jogo de hoje do mundial está já envolto numa polémica de racismo, hoje sou angolana.

sexta-feira, junho 09, 2006

º Há dias...º

... em que os sapatos que calças nem parecem os teus.

terça-feira, junho 06, 2006

º Da estupidificação do coração º

Nunca vou compreender a voluntária estupidificação do coração. Aquela feita de medos e dúvidas que não existem, de afectos e cuidados que não estão lá, de amizades e ombros que são só de palavras.
Verdade, nunca vou compreender a estupidificação das relações entre pessoas, pela mera arte da estupidificação. Aplausos. Ter a certeza que somos todos mais felizes assim.
Ou não.

quarta-feira, maio 31, 2006

º Não sei quem és º

Não sei quem és mas sei que sabes da minha solidão. Sabes das noites longas em que a memória trespaça o coração, aquelas em que não se suporta mais uma noite a cair, imensa, terrível, e por isso se mergulha naquele silêncio. Não é estar calado, é gritar a plenos pulmões, e eu não sei quem és mas sei que sabes. Reconheço pelo olhar a subtil arte do abandono, o voraz, irredutível, incontornável. E eu não sei quem és mas sei que sabes desta solidão.

º Fim de semestre, princípio de exames º

E heis que chega a recta final do semestre. E o stress. Cigarros atrás de cigarros fumados em tardes intermináveis estudando na esplanada do Principe Real. "Depois dos exames deixo de fumar" - as promessas de sempre. As sebentas, fotocópias e livros acumulam-se na minha mala, misturam-se e confundem-se espalhados sobre a mesa.
"É mais um café, por favor". Agarro um marcador colorido, verde, laranja, amarelo, quero-lá-saber, e a tarde segue, devagar.
Se não fosse a luz rasante entre as folhas das árvores deste jardim, ao amanhecer e ao fim de tarde, morria.

segunda-feira, maio 22, 2006

º Oscar º

Tu perguntas e não sabes, não sabes. «Nem tudo acaba aqui, nem tudo começa aqui». A subtil arte das lágrimas. Aquelas que tu não sabes. Poeta de pena sem vez, tens nos bolsos as ilusões fantásticas do coração.
  • Olhas o caroço de um péssego e vés nele o pessegueiro em flor.
  • E na tua testa desabrocha um beijo, "Voilá mon coeur".
    Tu perguntas e não sabes, não sabes se pões o teu coração aqui, ali ou acolá.
    Tu perguntas e não sabes, poeta de mapas inteiros e magia nas algibeiras.

    Para o Oscar, com saudade

    º Parabéns Cigarettes & Vinyl! º

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    O Cigarettes & Vinyl fez ano no dia 18 de Maio! Só hoje é que me apercebi disso, mas mais vale tarde que nunca, né? Então, vamos celebrar um ano dos meus devaneios? Quem me paga um copo no Agito? hahahahaha :)

    º Quero uma vaca do Cow Parede! º

    Pois é, o Cow Parede tá aí a entrar por Lisboa a dentro, cheia de cor e imaginação... e dá mesmo vontade de levar algumas vacas para casa. O inédito é que li no outro dia no jornal que alguém também quis uma vaca e levou a vontade à letra: tentaram roubar uma das vacas colocando-a num atrelado. O problema é que as vacas são pesadas e grandes... não fica lá muito discreto no quintal, pois não?! Assim, a vaca reapareceu algumas horas depois perdida noutro sitio de Lisboa. E pensavas tu que já tinhas visto de tudo! Não, não... Vistas bem as coisas para quê desviar aviões quando se podem desviar vacas? Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu :)

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    º Uma fotografia, um sorriso º

    Olha só o meu sorriso aqui na foto. E depois quem disser que eu não recuperei o meu Zen natural vai certamente ter de consultar um oftalmologista! Watch out, vanduska's smile is about! :P

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    terça-feira, maio 16, 2006

    º O dom º

    Sobre estas paredes de água
    Ergue-se um céu
    Feito de chuva e vento

    Sobre estes tectos de água
    Erguem-se visões cinzentas
    Os dias aguardam a sua vez

    Sobre estas contruções de água
    Ergue-se o dom, lento e solitário
    Da melancolia

    sexta-feira, maio 12, 2006

    º Show me, show me, show me º

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    "Show me, show me, show me how you do that trick, the one that makes me smile she said [...] Show me how you do it and i promess you, I promess you i'll run away with you..."

    7 Abril 2006 - Para a Gabinsky da Wanduska :P (sim, eu sei que esta é uma private joke)

    º Melancolia II º

    E tu...? onde te vais esconder?

    º Vou queimar os teus poemas º

    Vou rasgar os teus poemas.
    Vou perder-me acompanhada, mas sozinha num bar qualquer. Beber mais um copo de vinho, vermelho, rubro como o sangue, o sangue.
    Vou queimar os teus poemas, todos, aqueles que me deste, num festival de línguas de fogo e papel queimado e cinzas. Vou queimar os teus poemas sem arrependimento algum, nunca fui boa a guardar palavras mortas comigo.

    º Melancolia º

    «Tu perguntas e eu não sei
    Eu também não sei o que é o mar.»

    Mar, mar e mar - Eugénio de Andrade

    quarta-feira, maio 03, 2006

    º Portugal - Lisboa - Basel - Suiça º

    Sempre gostei de viajar. Cura-me a melancolia. Amanhã parto novamente.
    Switzerland hier gehe ich!

    º o Amor não se percebe º

    Não acredito no amor de novelo, aquele fabricado em série e distribuído em t-shirts e autocolantes coloridos. Esse amor que te diz como o amor deve ser, estudado, testado e doseado para consumo moderado como as pastilhas elásticas e a aspirina. Não acredito no amor como um lugar comum.
    «O amor não se percebe» e eu não percebo.

    quinta-feira, abril 27, 2006

    º Sinais de permanência II º

    O meu amor imenso, imerso nos nós dos dedos das tuas mãos.

    ª Sinais de permânência I º

    vou prometer-te o que os amantes se prometem, um beijo, um abraço, a permanência, a paixão, o amor, o que queiras, pois o meu Amor és tu que o tens em Ti.

    sexta-feira, abril 21, 2006

    º 1 ano depois º

    Acendo um cigarro.
    Ocorre-me: - este tempo todo depois o que resta é um silêncio de mortos.
    Se mo dissessem antes não acreditaria. Lamento no entanto verificar o naif que é acreditar-se que o afecto generoso, despretensioso, que vale por si só e nada mais espera foi, por si só, inútil.
    Triste...

    quinta-feira, abril 20, 2006

    º O teu amor morreu º

    E um dia aquele mar pára. De te puxar, de te morder, de te matar.
    Pára. Sim, assim, e é só isso.
    Começa a tecer-se na areia da praia uma veia fina de espuma seca. Seca, sim, que o mar (aquele que parou) já não vem humedecer o teu chão de areia fina e pedaços de concha e algas e sal.
    Sabes então que o teu amor morreu. E já não sentes dor. E pensas que um dia, já o sabias, aquele mar ia parar de lamber a areia, de te puxar, de te morder. Matou-te e tu morreste e ele também. Como o disparo áspero de uma bala que só pára no corpo mole da sua vitima.
    E um dia aquele mar parou. E tu nem sabes quando te deste conta que ele já não te puxa, já não te morde, e tu só morres uma vez. E por isso mais vez nenhuma pelo mesmo mar.
    Sabes então que o mar parou e o teu amor morreu e que tu já não sabias que esse mar um dia secava para deixar a tua areia salgada secar também.

    quarta-feira, março 22, 2006

    º Anda ver-me ao fim do dia º

    Anda ver-me ao fim do dia, amor
    Abre-me as vestes que guardam as cicatrizes
    no meu corpo
    Anda ver-me ao fim do dia
    E na luminiscência breve da pele
    verás que me feri.
    Anda ver-me junto ao mar
    meu velho amigo
    a rasgar a ténue linha do horizonte
    pérola onde meus olhos se prendem
    Anda ver-me ao fim do dia
    de pés descalços na areia
    E na luminiscência breve do mar
    verás como me feri,
    como me feri!
    E também me curei.
    Anda ver-me de madrugada
    e espreita estes meus olhos feitos de água salgada
    Espreita bem por eles, amor
    que estes meus foram feitos para os teus:
    - Olha.
    Meus olhos castanhos,
    filhos trágicos, bastardos
    de um amor sem-amor
    Anda ver-me de madrugada
    espreita-me estes olhos
    Estes,
    os meus
    e diz-me:
    - Vim ver-te as cicatrizes, amor
    vim ver como te feriste
    e também te curaste.

    ºElogio ao Amor º

    "Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
    (...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
    Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
    Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
    Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )

    º É verdade º

    [É verdade, já] perdi tudo.
    Tudo menos a minha convicção.

    quinta-feira, fevereiro 09, 2006

    º O meu velho amor és tu º

    Há uma certa lentidão na magnificiência das horas. Há lágrimas e sorrisos que se opõem proporcionalmente como a areia salgada da praia se opõe à língua indecisa que desenha a orla do mar.
    Olho-o, o mar, e digo, com uma certa infantilidade: - o meu velho amor és tu. Sepultas em ti séculos inteiros. È em ti que o tempo embate, destronado. Nunca serás velho, tu não morres, tu subsistirás. És o meu velho amor e eu, que envelheço, vou continuar a procurar-te até que o tempo me leve.

    quinta-feira, fevereiro 02, 2006

    º Menina de sal º

    Ondulas o corpo pelo espaço como se o tempo não passa-se por ti. Na pele, o mapa traçado de noites em claro, noites bebidas em drogas e alcoól, a leve insónia do prazer. Troças do mundo e das coisas com a mesma subtileza com que te amarras ao chão. Não sentes os anos que correm através de ti como se não desses por eles. Menina de sal, de tempestades e dias chuvosos, graníticos. Tens as mãos arranhadas pela vida mas não esgotadas. Trazes contigo a memória de dias de sol, viagens longas, troços curtos percorridos a pé. Menina de sal, de naus e telas e asfalto quente. Ondulas o teu corpo pelo espaço como se troçasses da dura inevitabilidade das horas.

    quarta-feira, fevereiro 01, 2006

    º Воспоминание/Remembrance º

    Partilho um dos meu poemas preferidos de Pushkin, o poeta russo que me tem deliciado ultimamente.

    Whene'er for mortal men the noisy day grows still
    And half-transparent shadows of the night.
    And slumber, the reward of daily labors,
    Sinks down upon the muted city streets
    That is the time of night for me, when silent hours
    Drag by in agonizing wakefulness:
    During the idle night the sting of my heart's serpent
    Flames up in me more fervently;
    Imagination boils: my mind, opppressed by yearning,
    Plays host to a tormenting crowd of thoughts;
    Before my eyes, remembrance silently
    Draws out its lengthy scroll;
    And I, repulsed, review the story of my life,
    I shudder and I curse,
    Weep bitter tears and bitterly complain,
    But cannot wash the dismal lines away.
    ««»»
    Когда для смертного умолкнет шумный день
    И на немые стогны града
    Полупрозрачная наляжет ночи тень,
    И сон, дневных трудов награда,
    В то время для меня влачатся в тишине
    Часы томительного бденья:
    В бездействии ночном живей горят во мне
    Змеи сердечной угрызенья;
    Мечты кипят; в уме, подавленном тоской,
    Теснится тяжких дум избыток;
    Воспоминание безмолвно предо мной
    Свой длинный развивает свиток:
    И, с отвращением читая жизнь мою,
    Я трепещу, и проклинаю,
    И горько жалуюсь, и горько слезы лью,
    - Но строк печальных не смываю
    1828

    segunda-feira, janeiro 30, 2006

    O meu coração é um satélite fora de órbita, qual naúfrago perdido no espaço.

    domingo, janeiro 22, 2006

    º Parte-me o silêncio ao meio º

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    Foi depois de ti que comecei a padecer de patologias estranhas, raras, mesmo exóticas. Convulsões de abandono e uma ausência de tradução implacáveis.
    - Parte-me o silêncio ao meio dizia eu, de copo de vinho em punho. Parte-mo como se colhesses uma rosa brava no deserto. Ensaiava o gesto de colher uma rosa do chão e estendia-te a flor invisível que acabava de matar pelo prazer da sua beleza.
    Hoje penso na beleza como penso numa pausa entre as notas de uma pauta. Não sei explica-la de outra forma e possivelmente irei refinar esta idea com o tempo até que a torne ilegível como uma caligrafia apaixonada.
    - O silêncio não é uma nota que se esqueceu de tocar, disse eu enquanto colava as mãos ao vidro das janelas. As notas é que são silêncios que se esqueceram de se ouvir e por isso tu és como uma folha de pauta em branco.
    Quase gosto desta doença que contraí com o tempo e a sua implacável falta de repouso. É nela que me abrigo para seduzir a saudade até à minha cama. Não uso relógios e desfiz-me de agendas e calendários. Se não posso controlar o tempo, vou antes enganá-lo.
    - A paixão pelas coisas magnéticas são como o ar dentro de um instrumento de sopro, rematei eu cheia de certezas, pertence a um intervalo de tempo da mesma natureza donde rompe a leitura de um poema.
    Sim, gosto de silêncio. E depois?

    º O gato e a fera º

    Tenho o temperamento dos gatos. O temperamento esquivo e atento dos gatos. Disseram-mo. Na verdade, gosto de me sentar num canto confortável e discreto nos bares onde observo minuciosamente o espaço. Decomponho os sons e os movimentos e as caras em partes que depois associo, somo e divido de forma aleatória. Construo laços e confiança lentamente, sou cautelosa mas curiosa como os gatos. Defendo o meu espaço e o coração - território sem muros - de forma instintiva e cortante. Se me sinto entediada desapareço de um pulo para um sitio onde possa repousar o animal que há em mim. Sim, sou como os gatos. Sei, aliás, que há em cada ser que move um animal à espera, ora feroz ora dócil. Reconheço-o pelo olhar. Assim, não temo ninguém. Temo as feras por baixo da pele. É nos ossos que se esconde a fera, localizada por detrás do reflexo do espelhos. No meu corpo, entranhada no meu esqueleto, há também uma fera.
    Uma fera na selva.

    quinta-feira, janeiro 19, 2006

    º O que fazes com o que fizemos º

    Podes ignorar-me. Esquecer-me. Criticar-me. Responsabilizar-me. Podes contar a história como queiras, omitir o que te convier. Podes esconder o que quiseres. Dizer que fui eu. Só eu.
    Já não me importa o que fazes com o que fizemos.

    segunda-feira, janeiro 16, 2006

    º Mensagem muda #8 º

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    º Os corações também se gastam º

    " Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os medicamentos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo-me que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. [...] Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar prefiro a minha doença. O meu único sossego encontro-o nos sonhos que não se convertem em pesadelos.
    Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, famílias e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade."
    Pedro Paixão
    Para mim, com ironia

    terça-feira, janeiro 10, 2006

    º Mensagem muda #7 º

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    º Mensagem muda #6 º

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    sexta-feira, janeiro 06, 2006

    º Mensagem muda #5 º

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    º Mensagem muda #4 º

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    º Mensagem muda #3 º

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    quarta-feira, janeiro 04, 2006

    º Mensagem muda #2 º

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    º Mensagem muda #1 º

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    domingo, janeiro 01, 2006

    º Mês da mensagem muda º

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    Mensagem muda é um conceito de comunicação através da imagem que foi utilizado pela minha turma de 10º ano em Oficina de Artes para trocar mensagens, exprimir uma ideia ou um sentimento. Mais simpáticas, mais enigmáticas, mais provocantes ou mais banais lá surgiam recortes de imagens, fotografias, colagens ou mesmo folhas, flores, pequenos objectos colados ao painel destinado para o efeito. A ideia é que a imagem seja olhada, lida e interpretada de uma forma muito própria sem aquela limitação da legenda impondo um significado pré-definido e de forma a estimular uma linguagem plástica em alternativa à linguagem comum e ao seu limite expressivo.
    Recrio aqui de forma virtual a ideia do divertido quadro de imagens do velhinho atelier T12 perdido no 1º piso do bloco 4 da escola da minha adolescência.
    Se quiseres "colar" a tua mensagem muda neste painel virtual, és benvind@, envia a imagem para cigarettesvinyl[at]gmail.com.