quarta-feira, dezembro 21, 2005

º Esta guerra º

De quem é esta guerra? Campos de ira frios como o corpo inanimado do soldado que caiu, perdido numa guerra importada por outrém.
De quem é esta guerra sem projécteis de metal, nem fumo nem poeira do chão levantada pelo estrondo da luta?
É esta a tua guerra, invisível de visões étereas e insónia que alastram nos lábios cortados, meus, de mais ninguém.
É esta a tua guerra, mão gelada sobre a minha fronte, sitio onde o mundo é um imaculado engano e de passo em passo se tropeça.
Arde fundo nos meus ombros, como vidro incandescente, o teu cálice envenenado.
Tenho toda a histeria de um animal ferido no meio da batalha virada para dentro, para as veias, para os músculos, para os tendões, para o ventre.
De quem é esta guerra que afunila os dias?
Escuta, de quem é esta guerra em que as palavras são pedras de arremesso?

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