sexta-feira, dezembro 09, 2005

º Cómica triste de lágrima por baixo do véu º

Não tenho palavras para ti, nem gestos, nem flores. Também não tenho a ambivalência vagarosa de quem não sabe se fica se parte.
Tenho a minha língua presa, entalada contra o céu da boca, com força para não se soltar. Tenho toda a paciência de um velho que espera o fim do dia no banco do jardim.
Mas não tenho vontade de me sentar contigo e ver a tua plácida destruição, capricho ou fatalidade ou desprazer de viver, não sei.
Tenho ouvidos para te ouvir dizer que pouco sabes de mim. Ensaias desconhecer até o que efectivamente sabes, perguntas distraidamente como vai o tempo por aí, por ali, palmada nas costas, surpreendes-te com mais um dia perdido. Fazes de conta que estás mais distante do que na verdade estás. Cómica triste de lágrima por baixo do véu. Porque o fazes não sei, talvez seja apenas o produto directo de uma divisão de qualquer coisa, outra vez a matemática ilógica do coração que me segue pelo caminho fora.
Para ti.

Sem comentários: