terça-feira, novembro 15, 2005

º O que resta em nós? º

« Mas para ti...» dizes tu, e interrompes a frase a meio. Não queres dizer o que na verdade pensas e assim calas a frase bruscamente. Eu já te ouvi, e já sei o que queres dizer e já discuti até à exaustão que sou mais sensível do que julgas. Estou cansada e triste e hoje quando penso em ti sinto uma vontade dolorosa de chorar. (Sim, de chorar porque eu também choro) Talvez fosse mais fácil, soubesses tu que da mesma forma que são os outros capazes de te magoar, podes tu também magoar os outros, em proporções e doses semelhantes. Para magoar alguém não é necessário fazer algo. Pode-se ferir muito mais pelo que não se faz do que pelo que se faz. Já dizia alguém que li à tempos, "vê-se o que há atravês do que não há". Dispendo mais energia a tentar compreender-te sempre e incontornávelmente do que a tentar curar as feridas que vais deixando. Assim, com o passar do tempo, foram ficando mágoas que ponho de lado para continuar contigo e não olhei nunca para trás. Tinha a certeza que o caminho era permaneceres na minha vida como algo belo e singelo de um percurso difícil.
Entretanto, um ano e dois meses e muitos dias depois o que resta em nós é mágoa e silêncio.
Assim hoje quero desaparecer, sair de mim e abandonar-me à mais soberba perdição. Que assim já não restará nada mais para dizer «...foi assim...»

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