segunda-feira, novembro 07, 2005

º Deixa-te morrer º

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Encontrei-me sozinha na rua. Ouvi um vagabundo dizer:
- o mundo é tudo azul se assim o quiseres. Tens na ponta dos dedos o cigarro que seguras com firmeza, pensas tu que não tens nada mais. Tens em cima da mesa onde te sentas um copo de vinho vermelho rubro, e pensas tu que é sangue que bebes. Mas que sabes tu, ó personagem de tuas próprias tragédias, do sangue que te corre por dentro? Agarras uma caneta como quem se agarra à vida, julgas que podes imprimir a mágoa e o amor num pedaço de papel. Mas que sabes tu da mágoa roxa da poesia? Tens nos teus olhos uma infinita fonte de saudade, de angústias, pensas que é neles que vais sepultando a vida, mas que sabes tu da insónia de não se saber ser?
Deixa-te morrer, deixa. Devagar, ao som de um tango.

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