sexta-feira, outubro 28, 2005

º Introspecção - extrospecção º

És capaz de orientar, satisfazer e aguentar toda a gente e orgulhas-te dessa tua força e dureza.
Tens tanta necessidade de ser admirada que queres controlar tudo e tudos e sentir-te sempre gratificada.
Não tens consciência do vazio que te habita, por isso estás sempre insatisfeita.
És interiormente desamparada e frágil, sem afecto, e compensas essa sensação de frustração relacionando-te com pessoas fortes, que se destacam, respeitadas, admiradas. Entretanto esqueces-te que a única coisa que te falta é amor.
Só te consegues valorizar à superfície de ti mesma, e assim não há espaço suficiente para te relacionares com os outros sem ser numa base de poder que resvala para o pragmatismo e utilitarismo.
Aprendeste a controlar as emoções e a investir a tua energia numa imagem que não és tu, idealizada, só mais uma projecção de poder.
Apareces ao mundo como se não temesses nada, porque tens as tuas fragilidades anestesiadas por esse manto de superioridade que te cobre.
Vives dependente da tua própria fachada.
Assim fechada nessa tua realidade arrastas os outros que facilmente atrais para um saco sem fundo.
És capaz de oferecer a ilusão de tudo: de amor, de charme, de beleza, simpatia. Mas não és capaz de dar efectivamente nada. Não vês as pessoas como pessoas, mas como imagens que admiras ou não, que te podem dar algo que te falta ou não.
Preocupas-te tanto contigo que não tens tempo para te aperceberes das necessidades dos outros.
Tu não amas, manipulas.
Quando um dos teus impérios se desmorona e perde a glória, ages como se nada tivesse existido.
És pródiga em sentimentos rápidos, e tens dificuldade em aguentar relações baseadas em trocas afectivas reais.
És a pessoa mais infeliz do mundo, tenho a certeza.

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