segunda-feira, setembro 12, 2005

º Se tudo isto fosse uma Polaroid º

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Faço um esforço por te compreender. Não tenho de te compreender. «Pára!». Levanto-me, vou fumar um cigarro. Peço outro vodka e bebo-o de forma pesada e solene.
Alienação.
Dou comigo a perder a noção de que estás na mesma sala, fico absorta com um ponto qualquer na tinta lustrusa da parede. Vermelha.
Passas-me um cigarro que não pedi, dizes qualquer coisa que se afoga no emaranhado da música e das pessoas e do barulho de copos nas mesas e no balcão.
Alienação. Hoje a roupa que visto nem parece ser a minha.
Lá estás tu a levantar-te, rodopias sobre ti própria, procuras mais um copo com alcóol, ris-te muito, falas com toda a gente. Já não te (re)conheço.
Alienação. Estou muito pedrada e ébria, e isso que importa?
Mantenho a compostura, estou direita, pernas cruzadas sobre a cadeira, falo pausadamente, ondulo ao som da música.
Alienação. Por vezes a visão fica-me turva, tenho de semi-cerar os olhos, concentrar-me e abri-los com força.
Olho para a cadeira à minha frente, está vazia. Não me apercebi de te teres levantado, esqueci-me da tua posição no espaço, da tua presença.
Alienação. Perdi o mapa com as linhas da tua latitude e longitude, coordenadas trocadas e abandonadas.
Tenho medo de que o meu cérebro te esteja a apagar da realidade como aqueles recortes que se fazem nas fotografias para excluirmos as elementos que não pertencem.
Se tudo isto fosse uma polaroid de grandes dimensões estaria uma mancha no teu lugar, indefinida, resultado de defeito de fabrico de um qualquer químico de revelação.
Alienação. Parece que se passou tanto tempo. Meses, anos, séculos.
Tenho inscrita na palma da minha mão a minha própria perdição. Se a única forma de te me alienar completamente for eu mesma desaparecer, falo-ei.

1 comentário:

think_way_3 disse...

:)
lindo o texto...
até fikei alienada só de ler ;)
adorei...o teu mundo só teu :))

escreves tao bem :)
parabens***

beijinhu gandi***