segunda-feira, agosto 01, 2005

º O fim da inocência º

O fim da inocência foi quando um dia terminou a gentileza. Foi quando se acabou a vontade. Foi quando a motivação morreu, quando a confiança se esgotou.
O fim da inocência foi o drama que nunca persegui e que ainda assim me atropelou. Lento.
Hoje prefiro ficar na mais dura solidão a deixar-me invadir por outro corpo.
O fim da inocência, amor, trouxe à tona o meu corpo como na forma de um cadáver. O meu rosto na forma de um silêncio. O meu peito na forma do caco pontiagudo de um vidro. Os meus olhos na forma de enormes bolas de chumbo.
O fim da inocência, amor, veio na forma de uma mulher, duas, trés, perdi-lhes a conta. Dei-lhes tudo o que pediram, só não lhes dei todo o corpo nem o que do coração te pertence.
O fim da inocência foi o que nos matou.
Foi a arma que empunhamos uma contra a outra e que disparámos direita ao coração. Que já não tenho.

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