terça-feira, agosto 30, 2005

º O amor dos outros º

Um dia sentei-me numa varanda virada para o rio e pensei: - como é bruta esta vida a comer-nos o coração! Não pede licenca, não se arrepende, não olha para trás, não tem compaixão nem se demove. Tanto nos beija como nos mata. Assim, talvez seja essa a razão pela qual acredito pouco na vida e no amor. Sei no entanto pouco sobre a vida depois do amor. E hoje, sentada numa varanda virada para o rio, com o silêncio a comer-me o coracão sei quão desprezível é dar cabo do amor dos outros em troca da nossa própria vida.


sexta-feira, agosto 19, 2005

º Amsterdão º

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Levo a minha paixão até Amsterdão. Estarei de volta em Setembro!

quinta-feira, agosto 18, 2005

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"There's a light that never goes out"


segunda-feira, agosto 15, 2005

º Cuspi sangue sobre o teu nome º

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Escrevo-te para te confessar da minha vida o que ainda não te disse. Que das formas todas de comunicar, foi na escrita que encontrei o meu melhor instrumento. Sei que da caneta e do papel escorrem mais palavras que da minha boca. Mas eu não sei falar de mim. Não falo, escrevo. Não falo, toco.
Sempre me senti mais confortável no meio dos meus próprios livros, discos, cigarros e poemas do que deitada na tua cama. Isto não quer dizer que prefiri a minha solidão à tua companhia, não me interpretes mal. O que quero dizer é que na tua cama dançavam as tuas paixões, as tuas fantasias, os teus medos, as tuas fugas e, claro, também as tuas amantes. Assim, talvez por isso, nunca me senti em casa na tua cama mas sempre uma intrusa. Ou mais um corpo nu, pressionado contra as paredes do quarto, contra o tecto e os móveis e o soalho e a tua plácida misantropia.
Tenho de te confessar, traí-te tantas vezes que não poderia mais precisar-te com exactidão quantas vezes o fiz. Deitei-me com a a tua ausência e abracei-me a ela. Beijei-a e acariciei-a, e falei-lhe da minha vida e das minhas aspirações mais profundas. Falei-lhe de nós e dos nossos segredos. Contei-lhe histórias para crianças e chorei-lhe no colo mil vezes. Quando acordava de manhã, tinha-a entre os braços e apertava-a com mais força para me convencer que ali estava. Passei com ela - a ausência - incontáveis noites em claro, li-lhe poemas e cheirei-lhe a pele e fiz-lhe cócegas. Fiz-lhe também silêncio, daqueles enormes a arrastar-se, corrosivos como o ácido.
Sim, tinha de te confessar: traí-te. Enquanto te traí suportei com elegância a tua melancolia infinita, como quem veste um belo fato num dia de festa mas recusa a rosa que lhe dão para enfeitar o bolso porque este tem o fundo roto. Enquanto te traí trouxe sempre comigo, também, uma pequena lámina aguçada, fina como a malha de um collant, com a qual me apunhalei voluntariamente só para sentir os sentidos a funcionar.
Acabei no entanto por despenhar-me com violência no abismo dos mal amados, e partir cada osso do meu corpo contra o chão do desencanto. Vim, despenhando-me aos bocados, abismo abaixo, ora estatelando-me contra uma rocha, ora rebolando e caindo um pouco mais só para me estatelar novamente noutra rocha. Até ao chão, o fundo do abismo, até à saudade desmedida, insuportável.
Quer me acredites quer não, conservei sempre comigo um sorriso durante a queda. Penso que ao ser concebida me concederam o dom do perdão e da compreensão e da gentileza infinita. Porém não me concederam o dom do esquecimento da memória. De que servirá a alguém a gentileza infinita se não se lhe se esfuma também, entre as mãos, o passado?
Tornei-me perita em perguntas sem resposta, em mil e um artificios de produzir silêncio. Criei monstros e fantasmas para me atormentar de noite e carrosséis e fitas coloridas para me agitar o dia. Bebi alcoól até me arder o estômago e fumei até me doerem os pulmões. Dancei e chorei até me latejar o corpo, violentei a alma até a partir ao meio. Cuspi sangue sobre o teu nome. Um dia, por fim explodi e desfiz-me em cinzas. E o vento varreu-me do chão e eu desapareci.
Concluí que mudaste irremediavelmente a minha vida e a mim mesma.
E tu? Tu continuarás a chafurdar na tua amargura e azedume e hás-de esquecer-me pelo prazer doutro corpo. O sorriso enigmático que me acompanha - aquele que me repetias não saber descodificar - dou-to como fruto maduro da minha paixão, acabado de se soltar do galho e embater contra o chão para em breve se desfazer.
Enquanto fecho as persianas do meu quarto, acendo um cigarro e devagar desfolho mais uma noite de insónia.

domingo, agosto 14, 2005

º Solidão III º

Cheguei a esta conclusão à momentos atrás depois de meio maço de cigarros e um chocolate:
Sinto-me fechada e a precisar de estar sozinha e ao mesmo tempo não páro de procurar um alivio para essa mesma solidão. Um cigarro, um vodka, um charro, um disparate trocado com um amigo, os bars de sempre.
Será possível não suportar que alguém entre na nossa vida ao mesmo tempo que a nossa solidão nos esfarrapa?

º Solidão II º

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Deixo-te como herança a minha ausência pintada de branco.
Toma, ofereço-te a pedra gelada de neve que me ficou no lugar do coração. Estima-a com atenção, pois é tudo o que tenho.

º Solidão I º

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Anda, agarra as minhas mãos com desejo, acaricia-me a pele devagarinho. Mata-me de afecto que há dias em que não suporto a minha própria solidão.

º Cada vez mais aqui º

"E praquê fingir? E porquê mentir? E remar na dor? Achas que ninguém vê?
Também eu queria parar, chorar, cair, para me levantar, para te puxar, te fazer sorrir, não voltar a cair...
Não me olhes assim, continuo a ser quem fui, cada vez mais aqui.
Não dances tão longe que eu já te vi..."
Toranja

º Cara a cara º

Foge, menina, e põe a cabeça na areia para não veres. Anda, cega-te com força, arranca os olhos se assim te aprouver. Faz de conta que não desejas e estilhaça-te num farrapo ainda maior. Cara a cara, nega o desejo ácido que te come o coração.

segunda-feira, agosto 08, 2005

º Solidão de fim de semana º

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Gosto de entrar em casa aos fins de semana, quando todos foram para fora. A casa fica silenciosa. Gosto de entrar, rodar a chave na fechadura e saber que ninguém me espera. Gosto de entrar fechar a porta, descalçar os sapatos e atirá-los para um sitio qualquer no meio do corredor, tirar a mala enquanto caminho até à cozinha e deixá-la espalhada no meio do chão. Gosto de abrir o frigorífico, tirar o pacote de leite de soja, fechar a porta com o calcanhar, beber directamente do pacote enquanto caminho despreocupada para a sala. Então ligo o Hi-fi, e ponho a tocar qualquer coisa suave-melódico-melancólica para me esquecer que vim do caos lá de fora. Vou ao meu quarto dispo a roupa, atiro a t-shirt para cima da cama, os calções para cima da cadeira, as meias para o chão, abro o armário, visto uns boxers e uma t-shirt velha que faz três de mim. Volto à cozinha, dou comida aos gatos, trago um cinzeiro comigo, tropeço na mala que à pouco deixei no caminho, riu-me de mim própria. Volto para a sala, estou vagamente mole. Troco de disco para Amadou et Marian, estou apaixonada pelos sons do Senegal. Afasto as coisas e os tapetes, apetece-me dançar descalça, deslizo a planta dos pés sobre o soalho, posso fazer isto durar horas até me cansar.
A noite vai caindo, estendo-me no chão onde já adormeci tantas vezes, acendo um cigarro, olho para o tecto como quem olha para uma obra prima.
Ah, como sou feliz na minha solidão de fim de semana.

º O Mercedes da minha vizinha fala espanhol º

Ia eu, rua abaixo em direcção à porta de casa, chave na mão, distraidamente e eis que alguém me chama. Olho para trás e vejo um enorme carro, tipo banheira de luxo, resplandecente, novíssimo, pra-lá-de espalhafatoso. Depois lá reparei numa figurinha pequena e enfezada que sorria para mim. É a filha mais velha da minha vizinha do 3º andar que custumava brincar comigo quando eramos crianças. Eu tinha 5 ou 6 anos, ela 9 ou 10. Levei alguns segundos a reconhece-la e já ela vinha ao meu encontro. "Como-estás?-Bem?-Que-Bom?Eu-Também-Formei-me-em-Direito-Trabalho-na-Empresa-do-meu-Pai-ganha-se-bem-e-tu?Tás-tão-elegante-mas-devias-arranjar-te-mais-Eu-vim-agora-de-férias-Olha-o-meu-Carro-não-é-lindo?Tem-limpa-brisas-automático-6-mudanças-televisão-e-Dvd-Oh-Mas-não-é-nada-só-um-capricho-e-Tem-um-Painel-inteligente-Diz-tudo-o-que-se-passa-com-o-carro-E-em-que-parte-Ainda-Bem-não-percebo-nada-de-carros-e-diz-me-se-as-portas-estão-bem-fechadas-quando-devo-pôr-gasolina-mas-só-tem-um-problema-é-em-espanhol!"
Estranho como as pessoas crescem e depois parece que as suas vidas se alheram tanto das nossas que não acreditarias se não visses com os teus próprios olhos.

º Literatura revisitada: Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski º

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Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski foi o livro que li, na minha primeira semana de férias. Decidi recordar e partilhar as melhores citações (para mim, claro)

"Será possível viver sob este céu gente zangada e injusta?"

(...) E não pense que exagerei ao contar-lhe a minha vida, não pense, (...) porque é verdade que às vezes tenho momentos de uma amargura insuportável, insuportável... Nesses momentos ponho-me a imaginar que nunca serei capaz de começar a ter uma vida verdadeira, porque são momentos em que perco o tacto e o olfacto do verdadeiro, do real; porque chego a amaldiçoar-me a mim próprio; porque, depois das minhas noites fantásticas, vêm os horríveis minutos do desembriagamento!"

"Inutilmente remexe nas cinzas o sonhador, nos seus sonhos antigos, procurando nas cinzas ao menos uma faísca, uma brasa em que sopre e acenda uma chama, para aquecer com o fogo recuperado o coração arrefecido e ressiscistar nele tudo o que dantes lhe era tão querido e lhe tocava a alma, que lhe fazia ferver o sangue, que lhe arrancava lágrimas dos olhos, que tão luxuosamente o iludia!"

"Eu também estava feliz, (...) de tal modo me impressionava a natureza, a mim, citadino meio enfermiço, quase asfixiado entre as paredes urbanas."

"É que quando estamos infelizes, sentimos mais a desgraça dos outros; o sentimento não se dispersa, concentra-se."

sábado, agosto 06, 2005

º Odeias-me? º

Pára de me quereres ensinar como me sinto e deixa-me ficar sozinha. Já me basta a ressaca e a dor nos pulmões.
Pára de me quereres consertar, eu não estou avariada. Estou em modo stand-by como aqueles electrodomésticos que se vendem em lojas com promoções e cartazes muitos, vermelhos e amarelos e letras gordas.
Pára de me tentar interpretar, de calcular a raiz do meu problema por números e lógicas matemáticas que me são estranhas. O meu coração multiplicou-se ao expoente da loucura há já muito tempo.
Aprendi a ler-te nas entrelinhas, e tu sabes que eu sei bem que tu não quisseste foi um amor díficil.
Se não fosse tão gentil certamente teria experimentado provocar voluntariamente o teu próprio caos. Só um bocadinho, para não doer muito. Só o suficiente.
Odeias-me porque não te pertenço?
Odeias-te porque não te pertenço?
Odeias-me, odeias-te?
Odeias?
Se sim, deixa-te disso. Estás a perder o teu tempo.

º Obrigada º

Obrigada por me teres feito sentir leve. Obrigada por me teres feito sentir tua. Obrigada por me teres feito sentir útil. Por me teres feito sentir amada. Por me teres feito sentir gentil. Por me teres feito sentir adulta. Por me teres feito sentir calor. Por me teres feito suspirar. Por me teres feito sorrir. Obrigada por me teres feito corar. Por me teres feito gaguejar. Por me teres feito desejar. Obrigada por me teres feito gemer. Por me teres feito derreter. Por me teres feito viajar. Obrigada por me teres feito crescer. Por me teres feito aprender. Obrigada por me teres apoiado. Por me teres beijado. Por me teres admirado. Por me teres procurado. Obrigada sobretudo por me teres feito feliz. Muito. Muito.
Obrigada por me teres feito sentir viva.

Obrigada por me teres feito chorar. Obrigada por me teres deixado só. Obrigada por me teres abandonado. Obrigada por me teres mentido. Por me teres humilhado. Por me teres destroçado. Por me teres maltratado. Obrigada por me teres feito tremer. Por me teres feito revoltar. Por me teres feito desesperar. Obrigada por teres gritado comigo. Obrigada por não me teres ouvido. Por me teres menosprezado. Por me teres rebaixado. Por me teres feito sentir insegura. Por me teres feito sentir fraca. Obrigada por teres sido egoista. Por teres sido insensível. Obrigada por me teres jogado. Por me teres apostado. Por me teres oferecido. Hipotecado. Obrigada por me teres feito sentir culpada. Por me teres feito sentir falhada. Por me teres feito sentir quadrada. Obrigada por me teres deixado vazia. Por me teres devassado. Por me teres esgotado. Obrigada por toda a infelicidade que me deste.
Obrigada sobretudo por me teres magoado. Muito. Muito.
Obrigada por me teres feito sentir morta.

Obrigada por teres sido tu. Comigo.

quarta-feira, agosto 03, 2005

º O lado errado do coração º

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Será possível amar do lado errado do coração?
Será possível perder do lado errado do coração?

º Elogio ao amor º

"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )

segunda-feira, agosto 01, 2005

º O fim da inocência º

O fim da inocência foi quando um dia terminou a gentileza. Foi quando se acabou a vontade. Foi quando a motivação morreu, quando a confiança se esgotou.
O fim da inocência foi o drama que nunca persegui e que ainda assim me atropelou. Lento.
Hoje prefiro ficar na mais dura solidão a deixar-me invadir por outro corpo.
O fim da inocência, amor, trouxe à tona o meu corpo como na forma de um cadáver. O meu rosto na forma de um silêncio. O meu peito na forma do caco pontiagudo de um vidro. Os meus olhos na forma de enormes bolas de chumbo.
O fim da inocência, amor, veio na forma de uma mulher, duas, trés, perdi-lhes a conta. Dei-lhes tudo o que pediram, só não lhes dei todo o corpo nem o que do coração te pertence.
O fim da inocência foi o que nos matou.
Foi a arma que empunhamos uma contra a outra e que disparámos direita ao coração. Que já não tenho.