segunda-feira, julho 11, 2005

º Sem título º

Tantos pontos no espaço. Portos, rios enormes. Uma só fronteira gigante, impermeável. Capaz de nos engolir inevitavelmente.
Uma soma de pontas de agulha, centenas de centros convergentes, divergentes, diluídos. Um espaço feito de olhos fechados, tacteando. Chamei-lhe cegueira.
Um espaço feito de venenos banais, tão mortais como balas certeiras.
Aquelas luzes a atravessar o porto como comboios apressados. Mais e mais rápido.
E o silêncio? Esse silêncio que surge assim como ao ver a vida através de uma lente em erro de paralaxe. A vida sem estéreo, em frames não sincronizados, laços de abraços trocados, um troço armado de betão.
Essa fronteira enorme como uma parede iluminada, vista através de um caleidoscópio quebrado.
O pânico. Aquele de quem sabe que já perdeu o que ainda não tocou.
Apertei um caule de espinhos com força. Não senti nada.
A confiança, às vezes, mata.
V. Violante, Janeiro de 2004

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