quinta-feira, novembro 25, 2010

Levar baile de um cliente (e ainda por cima achar-lhe piada)



O cliente entra na livraria, pede um livro que não temos e pede para encomendar. Ao iniciar a encomenda peço-lhe o contacto que ele dá e depois o nome. Ele responde "Rato" e eu pergunto prontamente "... e o primeiro nome?". Ele faz uma pausa, sorri e responde com uma seriedade inabalável "Rato Mickey".

domingo, novembro 14, 2010

Interpol no Campo pequeno, EU FUI!!

Na sexta passada, os Interpol estiveram em Lisboa para um concerto no Campo Pequeno. Apesar das condições de som estarem muito aquém do que seria desejável o concerto foi fantástico!! Em breve vou tentar deixar aqui alguns do videos que consegui fazer do concerto. Para já digo-vos que o Rest My Chemistry levou toda a gente à loucura... well well. Enjoy.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Ele é mas é espanhol!



(Na livraria, uma tarde de sábado, cliente de meia idade, mal encarado, em frente a uma estante de literatura lusófona)

Cliente: Isto é incrível! Realmente incrível...(e continua durante uns minutos) Inadmissível!
Eu: Boa tarde, precisa de ajuda...?
Cliente: É uma vergonha, têm os livros todos mal arrumados!
Eu: ...precisa de ajuda para encontrar alguma coisa?
Cliente: Não preciso de ajuda nenhuma, já encontrei e mal arrumado!
(Nisto tira um livro do Mário Cesariny da prateleira)
Eu: (sem perceber) ... não me diga, o que é que encontrou mal arrumado?
Cliente: (prontamente) O Cezariny! O que é que está aqui a fazer?!
Eu: (incrédula) ... o Cesariny...?...não estou a perceber.
Cliente: Sim o Cesariny! Sabe quem é, por acaso?!
Eu: (ainda a apanhar bonés) Estaremos a falar do mesmo Cesariny? ... Mário Cesariny? ... um dos percursores do movimento surrealista... português? ... artista plástico... poeta...?
Cliente: (já bastante irritado) Português? Ele não era português!
Eu: ... desculpe, mas era.
Cliente: Não! Não era!
Eu: Desculpe, mas era.
Cliente: Você é uma ignorante!
Eu: (depois de um micro-segundo em que me apeteceu esbofeteá-lo) ... Pois... sabe o que é? É que eu só tirei a 4ª classe, fala-se pouco de literatura no ensino Básico. Ele é mas é espanhol, como o Saramago, não é? (e virei as costas e foi-me embora, satisfeita)

quinta-feira, novembro 04, 2010

º Texto sujo º




Foi naquele mês de Novembro que tudo se precipitou. As paredes a contar cigarros, as palavras, eu eu, uma espécie de janela fechada à espera de um Inverno que se faz tardar. Nunca quis que Deus me desse uma redenção, esse Deus que parece troçar de nós enquanto joga às cartas e ao azar. O que eu queria é que ele me esquecesse, já que me tinha abandonado. Não quis uma redenção, queria sim um pouco de coerência, uma que me permitisse deixar de estar zangada, andar pela estrada, sem demoras.
Com o passar do tempo já não me engano e aquele que finge que ama a mim já não me traz consolo. Mas a minha casa não é só uma casa - é uma morada - e assim, tornou-se fácil voltares para passares os dias à ombreira da porta, à espera.
Deixas-me assim um texto sujo, longe da literatura que tanto estimo, essa literatura que guardo no bolso do casaco e que não te pertence. Tenho que insistir: não te pertence aquela literatura que alimenta mais que o pão apesar do meu corpo estar cada vez mais esfomeado. E apesar daquele mês de Novembro, voltei a encontrar-te num violoncelo, num soalho de madeira e num copo de vinho. Encontrei-te na boca de uma mulher e nas mãos de um amante a chorar com uma carta de amor amarrada ao peito.
Habituei-me a ter-te a espreitar a cada esquina, a atravessar o passeio de lado a lado da rua, a apressar o passo, a mudar de direcção. Transformei-me certamente na tua herege preferida só por ser a mais esquiva.
É em Novembro que volto à minha velha máquina de escrever, uma exigência ou uma herança que me entregaste e eu nunca quis. Moldaste-me os dias e deixaste-me um texto sujo, o meu, um rascunho com paixão mas sem alma, dois ou três parágrafos desfeitos, como uma peça à qual falta a didascália e um actor e o pano. A mim, parece faltar-me as pernas, os braços, a voz e o coração desaparece-me do peito. Escrevo promessas em fitas vermelhas e amarro-as às árvores porque tudo o que tenho é um texto sujo que não me livra de ti e que nem sequer é belo.

Acordei com isto na orelha...

sexta-feira, outubro 29, 2010

Para os meus anos quero esta casinha.... Vá lá! Não sejam sovinas....

Vejam a casinha toda aqui... é de ver e chorar por mais....

quarta-feira, outubro 27, 2010

Um sentido de humor oportunista.



Não consegui deixar de achar genial este anúncio em particular num video deste senhor em particular.

Eu sei que isto tem andado parado.

(isto foi a melhor coisa que me ocorreu dizer na ausência de qualquer coisa remotamente melhor)

quarta-feira, agosto 25, 2010

Por falar em bons covers....

domingo, agosto 22, 2010

Este blog tem o prazer de anunciar o fim da Silly Season. A emissão será retomada.

segunda-feira, julho 05, 2010

It is I Leclerc!


Mas quem não se lembra do Allô Allô?

segunda-feira, junho 21, 2010

Manifesto Anti Vuvuzela e por extenso por Wanduska, cidadã bastante irritada.



Basta pum basta!!!

Uma geração que consente deixar-se ensurdecer por uma vuvuzela é uma geração que nunca o foi. É um coio de barulhentos, de vizinhos incómodos e de surdos! É uma resma de tolos e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morra a vuvuzela, morra! Pim!

Uma geração com uma vuvuzela a cavalo é um burro impotente!

Uma geração com uma vuvuzela ao leme é uma canoa em seco!

A vuvuzela é uma inútil!

A vuvuzela é meia inútil!

A vuvuzela é pirosa! A vuvuzela cai mal em qualquer ocasião!
A vuvuzela é vuvuzela! Morra a vuvuzela, morra! Pim!

A vuvuzel irrita tanto em Lisboa, como em Lamego, como Tóquio, como no Casaquistão!

E a vuvuzela teve claque! E a vuvuzela teve palmas! E a indústria de vuvuzelas agradeceu!

A vuvuzela é uma pedra no sapato!

Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta tocar a vuvuzela!

Não é preciso esforçar-se para desagradar, basta tocar a vuvuzela Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões!

Morra a vuvuzela, morra! Pim!

A vuvuzela em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

A vuvuzela é horrorosa!

A vuvuzela cheira mal!

Morra a vuvuzela, morra! Pim!

A vuvuzela é o escárnio da consciência!

Se a vuvuzela é cool eu quero ser anti-cool!

A vuvuzela é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

A vuvuzela é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz gostar da vuvuzela!

A vuvuzela é um pesadelo, uma prova de mau gosto!

Quando tocam vuvuzelas eu quero tampões para os ouvidos! E filtros de som para os jogos na televisão, e partir o pescoço do vizinho de baixo, atirar pedras aos carros em movimento em que algum cretino sopra aquela imbecilidade pela estrada fora!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem a toque!

E quem ache que "até-é-giro"!

E quem gaste os pulmões a tocá-la!

E ainda há quem duvide que a vuvuzela não vale nada, e que não serve para mais que fazer um barulho de dar cabo dos nervos!

E fique sabendo a vuvuzela que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.

Mas julgais que nisto se resume poluição sonora? Não Mil vezes não!

Indiferente às criticas, o seleccionador da África do Sul, Carlos Alberto Parreira, já pediu aos adeptos que "soprem as vuzuzelas o mais alto possível" e Danny Jordaan, presidente do comité organizador da prova, garantiu que este será "o Mundial mais ruidoso de sempre".

Morra a vuvuzela, morra! Pim! Morra a vuvuzela, morra! Pim!



P.S. - Obviamente inspirado no Manifesto Anti-Dantas do Almada Negreiros. Se estivesse vivo de certeza que detestava vuvuzelas.


Viva o solstício de Verão que este ano é as 11 horas e 28 minutos da manhã.

E para comemorar com tod@s vocês decidi escolher um grande clássico.






Post scrit - Reparem na sensualidade arrebatante dos dançarinos. Um homem a dançar assim no Lux levava-me ao altar. Miauuu.

sexta-feira, junho 18, 2010

Não podia deixar de fazer esta nota.


1922 - 2010

quinta-feira, junho 17, 2010

Muito bom.

Não consigo parar de ouvir esta música, socorro!


Concrete jungle.....

terça-feira, junho 08, 2010

Pânico doméstico III.

Só tu sabes como conseguiste gratinar a tampa do microondas.

terça-feira, maio 18, 2010

Pânico doméstico, capítulo II.




Não.
Não podes lavar a minha camisola preferida de caxemira na máquina de lavar, muito menos no programa de sintéticos.


P.S - Eu gosto de ti na mesma (mas não voltas a tratar da roupa).

Pânico doméstico, capítulo I.


Interveniente A: Podes pôr a roupa na máquina?
Interveniente B: Sim, ponho já.

(uns minutos depois o interveniente A dirige-se à máquina para a ligar.)

Interveniente A: AAAAAAAAAHHHH!!
Interveniente B: O que foi?
Interveniente A: Não separaste a roupa. Misturaste roupa escura com roupa branca.

(o interveniente B começa a assobiar para o ar)

Interveniente A: Bom, a roupa escura e de cor e branca separam-se. Tens aqui detergente específico para roupa escura e aqui detergente para a outra roupa e ainda o amaciador. Os atoalhados se for possível também convém lavar à parte. As peças delicadas convém lavar à mão com este detergente ou no programa de peças delicadas.

Tenho a certeza que já sabias isto.

sexta-feira, abril 23, 2010

Vem aí o mamamoto!!!!


As mulheres perversas ameaçam destruir o mundo!
Vejam isto aqui no Bitaites.... e também no Facebook.

(...isto é muito bom, muito bom...)

Lido.

A História do Senhor Sommer - Patrick Süskind

Para quem (tal como eu) só tinha lido deste autor O Perfume, fica uma pequena surpresa num registo bem diferente. Esta é a história comovente de uma infância que podia ser a nossa.

Lido.


"E não havia maneira de me habituar a viver morto."

quarta-feira, abril 07, 2010

je n'ais pas peur de la route

sexta-feira, março 19, 2010

A cromice total ou porque sou uma perfeita idiota. Parte 2


Comprar uma barra de oxigenação para pôr no aquário e não reparar que para que a dita coisa funcione são necessários os restantes acessórios, nomeadamente tubo e bomba. Melhor: colocar a barra no aquário e ficar intrigada à espera que algo aconteça.

A cromice total ou porque sou uma perfeita idiota. Parte 1


Ir ao supermercado buscar jantar, escolher uma refeição no serviço de comida take away pensando que é lasanha e chegar a casa e ter gratinado de pescada para jantar.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Já devem ter reparado...

... mas o Cigarettes&Vinyl está de cara lavada. E não... não fui eu a artista aqui do sítio. Foi a minha mana gémea, que é designer e remodelou aqui este estaminé.
Espero que gostem, eu gostei.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Tininha, 'tás lá.



"Who needs a heart
When a heart can be broken?"



Grandes legs e cheia de wisdom.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Liga e diz: estás vestida? É claro que a resposta não pode ser boa.

Tal e qual.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Lembram-se disto? Eu nunca mais me esqueci...


Dirty Dancing - Final Dance
Cliquem no link acima para ver, o Youtube não permite incorporação deste video.



Ghost - The spirit of Love

segunda-feira, janeiro 04, 2010

O novo single dos Bat for Lashes!


When I first saw you/

I knew that you had/

A flame in your heart.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Que contes muitos.

sexta-feira, novembro 20, 2009

I was given just one wish

quarta-feira, novembro 18, 2009

Últimas actualizações: Lido...


A mecânica do coração - Mathias Malzieu


Edimburgo novecentista, nasce Jack no dia mais frio do mundo com o coração congelado. Para lhe salvar a vida, Madeleine, uma parteira que traz ao mundo as crianças indesejadas de mulheres marginais, instala-lhe um relógio de cucu no coração. Jack sobrevive, mas o seu coração é fraco e desaconselham-se as emoções fortes... como o amor.
Mais do que um conto de fadas repleto de ternura, a Mecânica do coração explora subtilmente a natureza dos laços afectivos, do amor e da depêndencia, do poder da memória e da diferença.
Malzieu é um contador de histórias nato que nos faz lembrar Tim Burton. Luc Besson também gostou e diz-se que será adaptado em animação para cinema com a colaboração do fabuloso Johan Sfarr (que para quem não sabe é o ilustrador do livro O Principezinho em BD, da Presença).
Recomendo vivamente.

Eu fui!


quarta-feira, outubro 28, 2009

Quanto tempo o tempo tem?


Visto.


As praias de Agnés.
Les plages d'Agnés é um documentário autobiográfico de Agnés Varda comemorativo dos seus 80 anos. Tocante e simultaneamente divertido recorre a reconstruções de momentos da sua vida, fotografias e excertos de filmes seus e de Jacques Demy.
De destacar a forma como Agnés enfatiza a ideia de que este documentário é uma perspectiva pessoal sobre a própria vida recorrendo à constante imagem dos espelhos e ao "framing". Uma manta de retalhos de vida, repleto de ternura e de uma ironia nostálgica (que é sempre optimista e não azeda). Recomendo vivamente, vejam.

Visto.


35 Shots de Rum
Não é muito comum ver um filme da realizadora francesa Claire Denis no circuito comercial (se é que se pode chamar comercial à distribuição da Medeia Filmes). Assim sendo, aproveitei para ver o último trabalho dela e, mais uma vez, valeu a pena.
A história do filme desenvolve-se a partir da relação entre Lionel, um maquinista que se debate com a perda precoce da mulher, e a sua filha, que está a tornar-se uma jovem adulta e se debate para encontrar um compromisso entre a dependência do pai, sua única família, e o seu próprio desejo de independência.
Belo e melancólico, transporta-nos para um pequeno épico familiar: 35 Shots de Rum é um filme de poucas palavras, sendo os gestos, os sorrisos e o silêncio o factor principal de comunicação.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Lido: O Amor Louco - André Bréton

"Os homens desesperam estupidamente do amor - eu próprio desesperei -, passam a vida escravizados pela ideia de que este se encontra sempre para trás, e nunca à sua frente: os séculos passados, a mentira do esquecimento aos 20 anos. Suportam, e, sobretudo, esforçam-se por admitir que o amor, com todo o seu cortejo de luzes, não é, exactamente, para eles mesmos, esse olhar sobre o mundo feito do olhar de todos os adivinhos. Lançam mão de claudicantes e falaciosas recordações às quais chegam a atribuir, na origem, uma queda imemorial, e tudo isso para se não sentirem demasiado culpados. No entanto, naquela promessa que para cada um de nós toda a hora futura encerra, esconde-se o segredo da vida, segredo que um dia poderá, ocasionalmente, vir a revelar-se em qualquer outro ser."

segunda-feira, setembro 14, 2009





O meu filme favorito, do meu realizador asiático favorito, com a minha música favorita de Shigeru Umembayasi.
Recomendo. Eu já vi o filme um milhão de vezes e ainda me surpreende.

Lido.



"Creio que é isso que eu censuro aos livros em geral: o facto de não serem livres. Vêmo-lo através da escrita: são fabricados, são organizados, regulamentados, poderíamos dizer, conformes. Uma função de revisão que o escritor tem muitas vezes em relação a si próprio. O escritor, então, torna-se no seu próprio polícia. Quero dizer com isso a procura da boa forma, quer dizer, da forma mais coerente, mais clara e mais inofensiva. Há ainda gerações de mortos que fazem livros pudibundos. Mesmo os jovens: livros encantadores, sem qualquer prolongamento, sem noite. Sem silêncio. Por outras palavras, sem verdadeiro autor. Livros diurnos, de passatempo, de viagem. Mas não livros que se incrustem no pensamento e que digam o luto negro de todas as vidas, o lugar-comum de todos os pensamentos.
Não sei o que é um livro, ninguém o sabe. Mas sabemos quando encontramos um. E quando não há nada sabêmo-lo como sabemos que existimos, que ainda não morremos."

quinta-feira, setembro 10, 2009

A matemática. A inevitável matemática do coração.

quarta-feira, setembro 09, 2009


quinta-feira, setembro 03, 2009

Apesar da ciência.


Desde que te conheci que trago o coração nas algibeiras. Os meus sapatos num percurso estrangeiro, desconhecido. Fazem-se as coisas do costume, força-se a vida a acontecer, a continuar. Se não fizer isto tudo estanca: aquela nespereira da janela pára de crescer, o meu moinho de vento pára de rodar, cessa a respiração, tudo fica inerte como numa fotografia. Por isso, fazem-se as coisas do costume, empurra-se a vida para a frente, para que aconteça a que custo for, mas que não páre. Rezo a todos os deuses, eu que não acredito em nenhum, por favor que não páre. É uma luta incessante, silenciosa, como uma dança, uma mão invísivel a tocar-te na ferida. Tenta-se continuar a andar, ando o mais direita possível, como se o ângulo que se descreve entre os meus ombros e a horizontalidade do chão fosse desmascarar-me. Ando o mais direita possível, olho muito para os lados. Olho muito e vejo pouco, estou cada vez mais míope. Juro que é a verdade embora a optometria me desminta com os seus infindáveis valores técnicos, matemáticos. A verdade é que vejo cada vez menos, apesar da ciência me garantir em dioptrias que estou errada. É por estes mal entendidos que às vezes digo que acredito tanto na ciência como em Deus, o que nem sequer é verdade. Mas não há como não me mostrar indignada, ofendida. Vejo cada menos e ninguém me acredita.

Trago o coração nas algibeiras, insisto em fazer a vida acontecer, vou continuar a resistir até a minha energia se esgotar. E juro, em voz alta para que me ouça, que tudo isto é verdade.

What can i say?

domingo, agosto 30, 2009

Acabam-se as férias... volta-se à realidade.

Quero hibernar.....

quinta-feira, agosto 20, 2009

O imperdoável







Começou assim.



Eu sentada a fumar à noite, no lancil, como se não estivesse mais ninguém na rua. Como se a rua me pertencesse. Como se a desprezasse. Debaixo daqueles olhos metálicos fiquei quieta, imóvel, tentando confundir-me no meio do movimento dos outros, ser a perfeita banalidade. A invisibilidade foi-me sempre uma arte cara e fácil. A invisibilidade e a frieza. Mas ainda assim, de pouco me valeram. Como um jogador de poker a suar, a pestanejar, a hesitar.



Debater-me foi um exercício inútil. A cada investida a minha máscara tremia um pouco mais. Agarrava com força os dados para não os soltar, como se a próxima jogada pudesse ser dramática. Mas nunca houve nada de dramático, apenas de insensato. Uma total ausência de lógica, de raciocínio, um nó nos dedos, os vestígios dos dias, um qualquer deus cheio de ironia a pregar-nos partidas. O imperdoável.



Refugiei-me nos bares, nos cigarros, na selvajaria. As noites em claro, a areia da praia na dobra das minhas calças, frases curtas, palavras pequenas. Sem querer foi tudo como naquela descrição de Bréton, como num polaroid.



Sem querer vivemos como no cinema.

quarta-feira, agosto 19, 2009

... e disto? Lembram-se?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Lembram-se do Muppet Show?

sábado, agosto 15, 2009

Artifícios.

Invento artifícios ao acaso. Ouço aquele álbum de guitarra portuguesa que comprei há anos atrás. Quando termina, ouço-o de novo, ligo o repeat. Sento-me no chão do quarto, observo a porta, as paredes, o tecto. Levanto-me, abro a janela que dá para aquela nespereira enorme que vem da cave até ao 2º andar e ponho-me a fumar. Não sei quantos cigarros fumo. Sento-me na cama, abro um livro, leio-o na diagonal, desisto. Levo as mãos à cara, deixo-as escorregar para cima das orelhas, aperto o meu cabelo preto com força. Dou voltas ao quarto em câmara lenta. Faço perguntas sem resposta. Faço silêncio. Faço-o de tal forma bem que ouço o coração bater. Ponho as mãos à parede, encosto-lhe o rosto.

Saio para o jardim, sento-me na esplanada, o sol já a pôr-se. Bebo três imperiais seguidas, não me sabem a nada. Recomeço a fumar. Mas o fumo não me absolve, o jardim está a escurecer, as minhas mãos estão frias e eu continuo a perguntar-me que espécie de doença súbita é esta que me apanhou e à qual não consigo dar um nome.

terça-feira, agosto 11, 2009

Rubrica Musical "Absolut sound trash"

Há uns tempos enviaram-me este video para o email. Não consegui parar de rir o resto do dia. Só ainda não decidi se o meu pormenor preferido é a (des) coordenação das dançarinas ou a letra da música. Enjoy....



P.S. - O grupo chama-se "Duo São Lindas" porque as senhoras se chamam respectivamente São e Linda.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Sabemos que somos um animal de hábitos quando...




... vamos comprar cigarros naquela tabacaria ao pé do trabalho, dizemos "boa tarde" e a empregada responde imediatamente: "Olá, é um maço de Davidoff Clássico, não é?"

domingo, agosto 09, 2009

Últimas aquisições...

Tim Berne's Caos Totale - Nice View


Tango Orkestret - Tango de Copenhague


Chopin - Tristesse

quinta-feira, agosto 06, 2009

Bounjour tristesse....


Acordamos com a vida em suspenso. Magoamos os nós dos dedos de bater o tempo nas arestas da mesa. Um amanhecer ao contrário na algibeira. Levamos as mãos ao rosto, ao cabelo, ao pescoço e não encontramos nada. Nada a não ser o silêncio. Quando temos alguém próximo a morrer, a vida parece-nos um jogo inútil e cruel, e a espera assume a forma de um castigo insuportável.

terça-feira, agosto 04, 2009

Ir para Vila Real ou não ir para Vila Real? eis a questão.


Acho que esta cidadezinha, no interior plantada, tem potencial para me matar de tédio.

domingo, agosto 02, 2009

Leituras do último mês... III



O Construtor de Muralhas - Josep Romero


Esta foi uma leitura sugerida por um colega e amigo de trabalho. Apesar de, de um modo geral, não apreciar este tipo de literatura, não posso deixar de o referir. A narrativa apresenta-nos a história de um executivo, Val, que enceta um percurso de auto conhecimento e de libertação espiritual para vencer o medo. Paralelamente, e como metáfora, surge na narrativa a história de Kyo, samurai ferido e fragilizado em combate, que vai aprender o valor da vida, da alteridade, do luto e da liberdade numa jornada para reconstruir-se enquanto pessoa. Tem uma mensagem simples e positiva, mas não tem nada de surpreendente, nem traz nada de novo. Pelo menos para mim.

Leituras do último mês... II



Haldred - Patrick Besson

Haldred é uma pequena história de um amor louco e trágico. A escrita despudorada e ainda assim cheia de ternura é do mais fascinante que li ultimamente. Repleto de imagens invulgares e de um humor algo sarcástico. Recomendo vivamente.

Leituras do último mês... I


Waltz With Bashir - A Lebanon War Story (Graphic Novel)
Ari Folman apresenta-nos uma narração autobiográfica que tem como ponto de partida as suas memórias reprimidas da guerra do Líbano nos anos 80. Documento poderoso e tocante, aborda de forma brilhante a compreensão do conceito de trauma de guerra. Simultaneamente, consegue, despojado de qualquer sensacionalismo, apresentar-nos uma dimensão política, que denuncia - através de Ari, ex-soldado Israelita - a cumplicidade da Força de Defesa Israel (IDF) no massacres de Sabra e Shatil, onde foram assassinados milhares de palestinianos às mãos da milícia de cristãos falangistas.
O processo de catárse que lhe está implícito, implica não apenas Ari Folman, mas toda uma sociedade, que parece despertar agora uma renovada consciência sobre o alcance do conflito Israelo-Libanés.
Recomendo vivamente. Leiam.


segunda-feira, julho 27, 2009

Deus não tem resposta para tudo.



Mas sabe onde se desembaraçar.

quinta-feira, julho 23, 2009

Embrasse moi. Cap ou pas cap?

quarta-feira, julho 22, 2009

What we can, what we will, what we did suddenly...

A violência assume múltiplas formas.

"Violence is the last refuge of the incompetent."

Isaac Asimov

sábado, julho 18, 2009

As pessoas nos transportes públicos comportam-se como os electrões.

Só se colocam lado a lado quando já não há mais espaço disponível.

quinta-feira, julho 16, 2009

That's why I dance the tango.




"I live on my own, and the rest of the week i don't mind, but, on Saturdays, I like a bit of company. I like to be held close. That's why I dance the tango."

"Tango" in Simetrías, Luisa Valenzuela

quarta-feira, julho 15, 2009

A gente vive na mentira, já não dá conta do que sente, antes sozinha toda a vida, que ter um coração que mente.




Esta música dá-me arrepios. A sério.

segunda-feira, julho 13, 2009


Acorda-se de manhã e fica-se a olhar para o tecto, minutos a fio, como se dele pudesse cair uma espécie de salvação mágica. Experimenta-se tudo: fechar os olhos, respirar fundo, calcular sentimentos por fórmulas matemáticas, claras, limpas. E então percebemos que a diferença entre a fé e a ilusão é uma cama vazia e tu como um náufrago perdido à noite no mar.

sábado, julho 11, 2009

How does it feel/ To be on your own/ With no direction home/ Like a complete unknown/ Like a rolling stone?/

sexta-feira, julho 10, 2009

É um més de férias e um pacote de bolachas se faz favor.


Hoje estou em modo stand-by, qualquer reclamação é favor dirigirem-se à gerência.

domingo, junho 28, 2009

Duras, a minha Marguerite Duras....


"La solitude c'est ce sans quoi on ne fait rien. Ce sans quoi on ne regarde plus rien. C'est une façon de penser, de raisonner, mais avec la seule pensée quotidienne."

(Há frases que nos apetece rasgar do livro e guardar no bolso da camisa, junto ao peito.)

(Um outro) Ponto de vista: o Bairro Alto.


Habituamo-nos a pontos de vista que se enraízam em espaços. Até há 2 semanas atrás o Bairro Alto era o lugar de copos, amigos e boa vida. Um sem número de ruas estreitas, bares, música, caras desconhecidas.
Hoje o Bairro Alto é o meu bairro: a perspectiva altera-se. Agora o Bairro Alto ainda tem ruas estreitas, mas tem também mercearias antigas e lojas marginais de discos, livros, arte, coisas imensas. Tem caras conhecidas, vizinhos, e juras que até já conheces bem algumas pedras de calçada.
A tua vida altera-se, muda pele, muda de figura. Começas a sentir que mudas também de pele: a anterior parece começar a descolar-se devagar, os teus olhos giram em torno de eixos novos, desconhecidos. As tuas decisões estão agora mais evidentes que nunca, tudo o que fizeste se precipita à tua frente.
Acordo de manhã e o Bairro Alto não é mais o de antes. Agora é a minha casa.

segunda-feira, junho 01, 2009

Não consigo parar de ouvir esta banda sonora....

terça-feira, abril 28, 2009

Últimas aquisições: 2 livros, 1 disco.







sexta-feira, abril 17, 2009

Retrato Ardente


Entre os teus lábios é que a loucura acode
desce à garganta, invade a água.
No teu peito é que o pólen do fogo se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos é que a fonte começa a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos é que a areia queima,
o sol é secreto, cego o silêncio.
Deita-te comigo. Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios toda a música é minha.

Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"